quarta-feira, 19 de julho de 2017

Wolf Haley

     Esse é um dos alter egos do Tyler, The Creator (que tbm é um alter ego). Ele ter um alter ego explica em partes porque ele é tão agressivo e delicado ao mesmo tempo. Ele é tímido e ousado ao mesmo tempo. MAS isso não explica muito essa dualidade dele, porque eu acho que ele, naturalmente e despretensiosamente, confronta a imagem de rapper que temos. 
     Essa imagem é composta de um "always rude Kanye", de um Jay-Z imponente e intocável, e de todos os componentes que a mídia reproduz de um homem negro e claramente incomodado com a forma que tem sido representado. Uma das melhores coisas, pra mim, nessa nova galera que canta rap é que eles permitem ser quem são, que nem o Frank Ocean ou o Chance, The Rapper, mesmo que essa imagem tenha um pouco de delicadeza. O que aparentemente não existe no mundo de quem canta sobre a realidade com tanta indignação.
     Quando eu ouço o Kanye e me concentro na voz dele eu me conecto com ele e ouvindo aquelas incríveis montagens (é assim que chama?) que ele faz é como se ele estivesse dizendo: that`s who I am! Quando eu vejo o Tyler fotografado pela Petra nas mesmas poses que as meninas, calçando um tênis com flor rosa, coberto de borboletas em um cenário do Wes Anderson, ou se combinando com as cores "de menina" é como se ele dissesse: that`s who I am! E isso não tira a verdade do meu discurso nem mesmo minha indignação.
     O que quero dizer é que como mulher normalmente eu busco elementos masculinos para darem crédito ao que eu digo ou não distorcerem meu discurso baseado na minha feminilidade. No entanto o Tyler vive em elementos femininos e não é menos rapper nem por um segundo. 
 por Delfin Finley, via booooooom.
 por Petra Collins, via ela mesma.
No clipe de "Perfect", dirigido por ele mesmo (!!!)

Esse blog tá virando uma casinha para minhas crises

     bem, tentei me desligar um pouco da internet porque senti que ia ser sugada, depois percebi que não dá pra eu me negar algo que gosto, mas ai agora to começando a ficar saturada. Sempre que vejo algo bonito quero fazer algo bonito também, de qualquer forma, seja desenho, colagem, zines (esses principalmente).... mas nada sai da minha mente e quando tento fazer fico achando muito horroroso e desisto logo.
     Também quero melhorar em vários aspectos fisicamente, queria me movimentar mais e não ficar com o corpo tão enfadado. Vou fazer isso assim que eu terminar esse texto. Mas também fico esperando algo surgir na minha frente em janela pop-up pra me fazer respirar fundo e dizer: uaaaauu que coisa bacana. 
     Também fico pensando em textos possíveis para zines, todo tempo, sobre tudo, fico tentando ter alguma ideia e minha cabeça chega a doer com essa "cobrança" porque tá muito difícil simplesmente relaxar. Eu queria MUITO criar alguma coisa. Deve ser porque eu consumo demais na internet, e confesso que muita coisa boa já que tenho evitado conteúdos ruins na minha opinião. Nossa como eu queria saber desenhar, fazer colagens, tocar um instrumento, criar alguma coisa... Isso me faz delirar. Obviamente é uma pressão desnecessária. 
     Hoje tava pensando que como estudante de direito eu poderia criar algo nesse sentido, mas de reprente a coisa fica tão chata. Imagina só, se eu conseguisse relacionar algo que gosto tipo moda com o direito. Isso é claramente impossível porque justiça é algo muito importante. Quem sabe eu não consigo fazer conexões possíveis. Quem sabe também se eu lesse histórias interessantíssimas e as contasse do meu jeito, que nem quando eu mandava email pra Victória??
     Aí é que tá!! Quando eu mando email pra Victória eu estou me sentindo bem e a vontade pra dizer coisas que eu acho interessante e do jeito que eu acho que fica interessante, diferente de quando eu quero criar algo e fico me pressionando pra isso e no fundo eu só queria ser tão no mínimo bacaninha como essas pessoas bacaníssimas que eu vejo na internet. Ai que desabafo to até mais leve. Adoraria mesmo que ninguém acessasse esse blog, eu sinto que no fundo quero escrever pra alguém. Já pensei até em endereçar esses textos ao meu futuro, mas sei que nem ele vai querer ler tudo isso outra vez. 
     Acho interessante que meu cérebro pipoca de ideias bacanas que vão de fato ME agradar ou mesmo que não agrade nada o foco não é esse, mas meu corpo ou outro alguém dentro de mim me impede de concluir. É terrível!!!

terça-feira, 18 de julho de 2017

The ordinary turns extraordinary in “Boyhood"

     Desde que assisti nunca consegui explicar a emoção que senti vendo Boyhood, o máximo que conseguia dizer é que era como ver uma foto panorâmica da vida. Mas lendo os comentários sobre ele em um post do New York Times, eu, finalmente!, tenho algo melhor pra dizer sobre esse filme inexplicável. link.

As one year slips into the next, Mason grows up before your eyes, a progression that at times seems scarcely noticeable but at other times can knock you flat, recalling those moments when you look in the mirror and wonder, Where did the time go?

This movie pulls you into caring about people and feeling what it’s like for time to pass, for life to change, for relationships change.

I realized that I was telling the life and times of a generation.

We all go through the world trapped in our story, our own point of view. But a film can really enforce those other points of view – that’s storytelling power.

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Admiração ou como a Tavi consegue?

     Queria olhar no Houaiss qual o significado da palavra admiração, mas ele está muito longe agora. Posso tentar explicar com o que sinto pela Tavi e tantas outras pessoas (coincidentemente, a maioria mulheres) que são capazes de fazer coisas de modo tão criativo e sincero a ponto de fugir da curva do real. Sempre que vejo o blog da Tavi fico cheia de inspiração pra tirar foto das minhas roupas e para começar a vê-las como uma obra de arte, uma montagem artística e não apenas uma capa protetora. Também fico afundada em sua paixão adolescente que é muito bonita e tem as cores que eu gosto, mas que tenho evitado um pouco já que a própria Tavi está distante disso e que eu já não compreendo muito bem.
      Conheço a Tavi desde a época do colégio e desde então ela tem me ensinado como ver a áurea das coisas, as conexões entre eu e o que está em volta. É difícil saber como uma roupa se conecta a outras perspectivas, principalmente porque não conseguimos ver além do que está na nossa frente, porque queremos tudo nas mãos. Porque todas as mídias já nos entregam tudo pronto. 
     Nessas fotos abaixo ela relacionou as roupas de uma coleção com imagens, provavelmente ligando a cor, de um jeito que eu tive quase certeza que as roupas tinham sido criadas a partir das fotos. A roupa vai muito além, ela vira literalmente uma peça de arte e seu caminhar uma performance. 
 The thrown togetheredness of various references suggest that every piece was picked up at a different stop on a road trip or were homemade and have been happily lived in. Matching up such different textures and prints seems random but each layer serves a purpose

salva

     Esse fim de semana eu não tirei fotos, eu quase não acessei a internet, eu não fiz praticamente nada como tenho feito ultimamente, mas foi tão m a r a v i l h o s o !!!! 
     Primeiro, a Victória vai viajar, mas a Vivs vai ficar em casa de férias e eu fui selecionada para o cargo de companhia e achei muito ótimo porque a Vivi é super predisposta a fazer coisas novas. Pelo que vi ela tem também uma super visão estética vinda dos vídeos coreanos que são realmente muito bonitos e inovadores na sua simplicidade. Ela me mostrou uma série que tá fazendo e eu fiquei meio.... hm... "nossa como vai ser engraçado quando ela assistir isso daqui alguns anos". 
     Segundo, a gente foi no centro 
pausa pra comentário importante: !!! Eu estava na parada de ônibus, sozinha, e fiquei com muito medo do perigo dese estar sozinha numa parada de ônibus em Fortaleza e comecei a orar pra me acalmar. e tchan tchan tchan tchaaaan::: apareceu uma senhorinha vinda aparentemente do nada pra me dizer que não gosta de ver gente sozinha na parada e que ia aguardar comigo. eu fiquei tão feliz!!!!! Que pessoa admirável♥ A Victória me contou que uma vez desceu do ônibus e ficou com medo do caminho que enfrentaria sozinha até chegar em casa e tchan tchan tchan tchaaaan::: uma moça desceu do ônibus junto com ela e foi fazer o mesmo percurso e elas foram juntas ♥♥♥♥ Fiquei pensando... Com certeza nada teria acontecido nessas duas situações se estivéssemos sós, mas mesmo assim estávamos com medo, e Deus nos apresentou essas pessoas ótimas não pra nos proteger exatamente, mas simplesmente nos tirar o medo. Não é isso? Não é bonito? 
     No centro tava tudo muito esquisito. Tinha poucas pessoas, uma solidão, as lojas fechadas, algo realmente estranho. Mas ai eu comi aquele maravilhoso kit do Dudas que tem cuz cuz e eu fiquei muuuuuuuuito feliz, porque eu AMO a comida daqui, é uma riqueza. A gente foi no mercado central e adorei a sensação de conhecer um pouco de tudo aquilo que tinha lá, porque era exatamente a cultura daqui e eu me senti como alguém que está em casa e se sente muito à vontade. 
     Terceiro, a melhor parte de ir pra casa da tia Joana é que: as conversas são tão ricas, interessantes e divertidas que eu quase não lembro de internet ou de qualquer outro problema. Eu sempre aprendo muita coisa e a Victória tem um poder de fala fora da realidade e é muito bonito !!! Ser aluna dela vai ser uma dádiva total. Outra coisa boa é que atividades como arrumar um quarto inteiro de livros bagunçados não se torna tão ruim porque estamos juntas e temos tantas ideias durante o processo e ficamos sempre afoitas com a possibilidade de encontrar tesouros no meio da bagunça. E realmente encontramos. Até o ar que eu respiro quando estou lá é leve, eu consigo ser eu mesma, elas me conhecem e temos muitos valores parecidos e nossa visão de mundo de alguma forma se encontra. Só estou deixando isso bem claro e registrado pra que a Brunna do futuro saiba como a vida na casa do Arthur é tensa e solitária. 
     Por enquanto, vou guardar todos os mus projetos artísticos pra fazer com a Vivi essas duas semanas, estou muito empolgada, vou até fazer uma programação.