07 abril 2018

O estilo de Uptown Girls

Uptown Girls é mágico. Molly Gunn é uma moça rica e famosa de Nova York, sem ser burra ou desalmada como o estereótipo prevê. Seu espírito é alegre e seu sorriso é contagiante... Gosto de pensar que Britany Murphy estava sendo ela mesma. Não acho que ela tenha jeito de criança como a história nos leva a pensar, penso que ela passou por perdas terríveis e que ela só quer ser uma pessoa positiva e ser feliz. A mesma ideia pode ser aplicada a Ray, que precisa ser forte no cenário de abandono e perda que vive. Uau! que bom que se encontram!
Um amigo disse que tem uma teoria: não existe a fase adulta, os "adultos" estão sempre querendo realizar seus sonhos de criança e principalmente hoje sofrem demais com as adversidades do mundo. Essa teoria dele fez sentido pra mim, porque quando fiz vinte anos senti que meu jeito sonhador de adolescente não era muito aceito pelas pessoas, e eu perdia algumas oportunidades no trabalho, além de ser muito frágil e despreparada para situações em que eu deveria lidar sozinha. Decidi ser totalmente rígida, o minimalismo me ajudou a me afastar de objetos e roupas muito infantis. Foi péssimo, porque perdi minha essência, minha identidade não pode ser deixada de lado e o modo de vestir e os objetos me lembram de quem sou. Uptown Girls me fez pensar nisso, nesse balanço e como as roupas, nosso quarto, nossos gostos representam nossa forma de viver.

As roupas da Molly são muito femininas, ela não usa calça e em geral veste rosa. As saias são curtas, e cheias de camadas, combinadas com blusinhas de alça, que antes eu usava muito, e amo! Os vestidos também são do mesmo comprimento, de alcinha ou manga curta, super leves e coloridos. As minhas sandálias preferidas definitivamente são essas de saltinho e com uma tirinha fina que ela usa muito, junto com as bolsas de mini alça. Eu sei, é muito mocinha, mas eu acho tão elegante e minimalista! Molly é uma garota do verão, então eu me identifico muito.
 Aqui ela usou um lenço em volta da saia, que tem esse corte assimétrico, com essa blusa de amarrar. E as cores nem são semelhantes, mas estão lindíssimas juntas! E ela ainda foi pro parque de sandalhinha! que fofa. 

Esse vestido é mágico. Ele realmente só poderia ser vestido com esses sapatos! Ela parece uma fada. E nada mais lindo do que esse prendedor de cabelo brilhante. 

A maquiagem dela é super simples, com batom sempre rosa, como sombra clara e cintilante e olhos bem marcados. Ou, ela usa sombra azul na parte de baixo dos olhos. E o cabelo dela tá sempre partidinho e arrumado, sim ela é uma fada.

Acredito que o quarto da Molly foi uma pauta grande durante a produção do filme. Ele possui tantos detalhes que revelam a história dela, sobre seu espírito de quem não é como todo mundo... É muito bagunçado, mas eu acho que é como uma extensão dela, o quarto também é vivo junto com ela. 

Do outro lado tem a Ray, que mesmo sendo toda brava e séria também é super feminina. Ser feminina é força. Nessas fotos as cores são mais neutras, mas no resto do filme ela usa roupas de menininha e bem infantis. Acho legal que ela usa bastante acessórios, como a bolsa, colar, tiara, óculos e relógio. Que relógio fofo. 
Esse reloginho!

O quarto dela parece da Barbie, mas tipo uma Barbie cientista e culta, e não uma Barbie compradora. 
Esse banheiro poderia ser um cenário de Castelo Rá-Tim-Bum. Essa combinação de cores é muito bonita e juro parece que é pra brincar.

Jamais imaginei que roxo, amarelo e rosa ficassem tão lindo juntos. Me pergunto onde estão os decoradores sensatos que não fazem um quarto bonito assim. 

Pra completar, tem o estilo da amiga dela. Ela faz o papel da amiga madura, perfeita e educada. Mas ela é bem maluca na minha opinião. Tirando o fato de ela ter saído dos anos 50, tudo o que ela veste reflete esse espírito de tudo-no-lugar para o sucesso.

Achei que nunca ia conseguir terminar esse post. Gosto muito quando me conecto com a história de um filme e consequentemente me identifico com o estilo dele, tudo parece fazer mais sentido. Tenho certeza que Uptown Girls me influenciou na hora de trocar a calça pela saia para ir ao trabalho, e o sapato pesado por uma sandália delicada (agora fico direto vendo como meu pé é bonito!).

06 abril 2018

O reflexo, do reflexo, do reflexo

Um dos temas da Rookie uma vez foi reflection, acho que no sentido de repetição, imitação e compartilhamento. Na carta da editora, a Tavi contou que sempre fazia moodboards com imagens vindas do tumblr relacionadas pela cor ou pela época, mesmo sem saber a origem da maioria das fotos. Isso, unido a indagação de onde ela tiraria suas experiências estéticas ao invés de apenas compartilhar, a fez decidir que só usaria fotos de fontes que ela já conhecia. A intenção era dar mais sentido àquele conjunto de imagens, ao invés de apenas dar uma vaga impressão de que ela era super legal.
Para Tavi, o problema do Pinterest não é só que vários artistas têm seus trabalhos compartilhados sem nunca receber crédito por eles, mas porque o contexto é totalmente ignorado. E que, apesar de imagens falarem por si mesmas, se aprende muito mais sobre fazer arte se você sabe alguma coisa sobre quem a fez e qual sua motivação.

Isso fez tanto sentido pra mim! Porque por alguma razão eu não gosto muito do Pinterest, porque é todo mundo querendo ser muito legal. E são muitas imagens, chega a ser agoniante. Porém eu tenho um problema com imagens, eu não quero "perde-las" e salvar na internet parece mais sensato do que tê-las em pendrives, é quase como um objeto ocupando espaço.

Com dez anos, eu recortava imagens de revistas de moda desenfreadamente, e sem motivo algum. Depois que tive a ideia de fazer colagens, mas até então acho que eu não tinha uma ideia certa do que gostava. Nos primeiros momentos navegando na internet, eu salvava poucas imagens, e normalmente sabia quem era o artista porque era difícil encontrar muita coisa. Também tive outra era de obsessão com fotos na adolescência: tive uma "doação de fotos fake". Eu não sabia nem quem eram aquelas pessoas.
Quando em 2013 eu comprei um computador, mas não tinha internet, ia na lan house, salvava uma página inteira do tumblr, para chegar em casa e com calma olhar as fotos. Eu não sabia que fotos eram aquelas, mas guardei durante bastante tempo, depois salvei as favoritas no we♥it e tentei encontrar a fonte delas. É uma atividade um pouco decepcionante, porque a maioria é impossível de localizar, é como se não tivesse vindo de lugar nenhum que a internet pudesse encontrar. E quando eu descobria a fonte de algumas, mesmo sendo bonitas, perdiam o sentido, a beleza e a razão de eu me apegar.

O tumblr da Meyary parece bem coerente, parece com ela, são imagens semelhantes com significados semelhantes que possuem uma estética muito bonita. Assim como a conta dela no we♡it parece aquelas contas no instagram "arrumadas". Achei muito bonito e quis fazer algo semelhante. Na realidade não fui objetivamente fazendo isso, mas quando via que meu feed não tinha aquela estética, nem aqueles seguidores que ela tem, ficava muito desapontada.
Tenho também a sensação de estar perdendo algo, que existem milhares de coisas que nunca verei, coisas lindíssimas... [Tem um poema que fala sobre isso, eu li em um livro antigo da biblioteca da escola, mas acho que nunca vou lembrar dele]... Então eu quero ver tudo o que eu puder. Todos os editoriais, todas as fotos de um artista. Até eu saber que já vi tudo. Isso me deixa muito ansiosa. Quero ver tudo e salvar as coisas favoritas. Fazer postagens no blog.

Por isso, agora, quero tento encontrar sentido nas fotos antes de devorá-las, ter calma e não achar que vou engolir o mundo através da internet. Saber quem produziu as imagens, qual a motivação, qual a época e como isso se relaciona com os fatos históricos... Acredito que assim eu aprenda mais ao invés de apenas guardar coisas que não possuem nome. Isso deve vir da necessidade de razão que eu tenho exigido, quer dizer, nada fala por si só e apenas. Tudo possui seu antecessor, seu sucessor. Por isso estou gostando de ler sobre a Corine Day, de conhecer a história dela antes de ver suas fotografias, porque assim vou entender o sentimento, a época, as críticas, a história... talvez o mistério que eu vejo tanto nessas imagens seja solucionado

04 abril 2018

Corrine Day

Esse post é como uma bookmark, um favorito, uma marcação.

Através da Tavi conheci essa fotógrafa que capturou o mundo que eu quero viver.


O futuro é muito instigante

Espero que isso não pareça forçado ou forçado como uma criança imitando alguém, porque não tenho o costume de acompanhar as coleções, nem de formar opinião sobre elas ou compreendê-las. Tenho poucas referências para fazer conexões imagéticas que nem a Tavi fazia, mas espero que um dia eu tenha esse conhecimento de abstrair e fazer conexões bem apurado. Por enquanto, quero apenas dizer o que acho sobre uma coleção, o que ela me faz pensar, acho isso legal.

O que me interessou para olhar a coleção de primavera do Rick Owens foram os sapatos. Me anima ver que entre os milhares de sapatos de princesas que andam em carruagem, há espaço para mulheres que caminham. Mas gosto ainda mais porque não é uma simples sandália baixa: é algo pesado e quase agressivo e talvez resistente.

Enquanto as modelos andam, dá pra imaginar uma máquina do tempo se abrindo e elas vindo do futuro para uma reunião... Aqui há uma rainha, uma vilã e uma heroína.

As roupas são super distópicas e eu fico me perguntando como ele pode produzir roupas que são tão diferentes do que conhecemos de modelagem. Eu odeio blusas de duas alcinhas, acho terrível que blusas em geral são praticamente iguais, mas essa blusa de várias alças, essas golas projetadas e vestidos com decotes (?) são impressionantes.

As pessoas sempre perguntam como tudo isso é "bonito" ou se alguém acha bom pra vestir. Primeiro, tenho certeza que japoneses vanguardistas vão vestir tudo isso como se fosse sua segunda pele, não sei como conseguem. Segundo, vejo uma coleção como uma obra de arte, um trabalho de um artista que causa algo nas pessoas, inclusive repulsa e incômodo. E se o futuro for assim? Quem sabe se um dia vamos ver pessoas vestidas com aquilo que as representa ao invés daquilo que todos usam?
E sobre essas roupas cheias de enchimentos, transformando a silhueta, parecidas com a Comme des Garçons, achei super fofas!

24 março 2018

walk around...

Acho que é a primeira vez que acompanho as coleções e identifico o que realmente gosto. Não sei como deve ser a sensação de olhar tudo isso como quem pode comprar alguma coisa e está vendo como um catálogo. Acredito que como eu passo por essas criações apenas como alguém que está admirando, consigo me distanciar do "quero comprar" que nos cega de nós mesmos.
Fiquei encantadíssima com a sandália da Prada e do Alexander Mcqueen. A primeira me lembrou as sandalhinhas que as crianças usam aqui no Brasil pra ir pra escola, mas em cores melhores e com um design muito mais original! Por isso essa sandália me fez pensar em alguém que corre bastante, que pula e faz longas caminhadas... Uma guerreira das histórias de Miyazaki. A sandália do McQueen é o steampunk que se usaria na Idade Média. Fiquei impressionada com as flores no saltinho!

Tem também os sapatos que a Cher, de Clueless, usaria com certeza! Não sei se há alguma influência dos anos 90, mas esses sapatos tão femininos, com saltinho baixo e plumas são idênticos a Cher! Consigo ver até ela caminhando no shopping.

Parece que na minha cidade a única opção que temos de usar meias é com tênis, o que evitamos também. Mas eu queria tanto usar meias assim! As meias fazem transformam tão bem os sapatos que elas agora estão vindo grudadas. Acho que é um protesto pra começarmos a valorizar nossos tornozelos sempre desnudos. Além disso, as cores são lindíssimas, e tirando o salto genial da Dolce & Gabanna, a meia que deu as cores pra esses sapatos fantásticos ♥

Nunca fui de analisar as coleções assim, mas gosto da ideia porque pra mim são como obras de arte.
Fotos Vogue.It.

19 março 2018

Lolitta

Continuando o assunto sobre designers de moda brasileiros, vi a coleção da Lolitta. Não conheço muito essa marca, mas fiquei impressionada como as roupas realmente me lembram uma Lolita, uma Dolores Haze.
*Um parêntese sobre lolitas: Quando o Jeremy Irons reencontra a Dolores naquela cena de partir o coração, ela está completamente diferente, adulta, grávida e assanhada, mas ainda é Lolita, porque não se trata de uma criança sexualizada, mas de uma espécie de ser de contos de fadas totalmente misterioso e feminino.
Olha essas saias! Elas estão na altura do joelho mas não parecem seduzir de alguma forma? Seriam os tornozelos? E quanta beleza há nesses ombros! Apesar de ser um modelo de roupa que eu jamais poderei usar, acho lindíssimo. Também achop super bonitinho com as peças combinam as cores entre si, acho que já to cansada do color blocking, parece estranho, mas gusto da estética de debutante da década de 50, que sai arrumadinha e combinandinha. Nessa época de feminismo isso parece estranho de se dizer, mas acho que é justamente o feminismo que me permite me vestir assim por prazer enão por obrigação.
O que essas garotas são? Pensei em polvos, mas acho que são águas-vivas. A saia solta em baixo não parece ser esvoaçante, mas extremamente fluida... Fiquei chateadíssima porque a Lolitta já fez uma colaboração com a C&A e eu ignorei total! As roupas pareciam ser bem caras, mas com certeza mais acessíveis.
Apesar de lindíssimas, não consigo tirar essas roupas de um contexto político de pureza que vivemos, será que isso tem algo a ver? Bem... Espero que a Brunna do futuro possa olhar parar tudo isso com alguém que possua as respostas.

Onde está a moda do meu país?

Sempre que leio blogs estrangeiros sobre moda, eu fico um pouco impressionada como as pessoas valorizam a moda do seu país. E não é uma valorização hipócrita, tipo nosso falso regionalismo, mas é que essas pessoas moram no Japão, na França, na Alemanha e nos Estados Unidos, então cada um consegue encontrar na sua cidade peças de estilistas renomados que se conectam de alguma forma com suas histórias. Mas aqui no Brasil não, e muito menos em Fortaleza. Eu não consigo encontrar muitas lojas de estilistas importantes aqui, e qualquer estrangeiro que vem pra cá se aproveita disso, como a Zara que cobra preços obscenos por peças comuns e de designers desconhecidos. E eu também não consigo encontrar uma conexão da cultura brasileira por essas roupas.
Eu adoraria poder ter uma seleção de artistas brasileiros que tem uma alta costura artística. Até agora eu só achei marcas que parecem ser feitas para mulheres muito ricas e de um estilo específico de elegância. É óbvio que a alta costura em qualquer lugar eserá para pessoas muito ricas, mas e quem é muito rico e não quer se vestir como uma boa moça recatada?
Outra coisa interessante é que na moda brasileira dá pra ver elementos que já estão na moda, como os elementos dos anos 80 e 90. Eu queria muito saber como a moda funciona: se as marcas criam o que as pessoas vão usar, ou se elas precisam se inspirar no que as pessoas já estão usando pra poder vender.
De qualquer forma, a coleção da Coven que me fez pensar nisso tudo. Parece que foi feito exatamente pras minhas professoras que são bem ricas e só vestem roupas de marca, são bem magras e precisam demonstrar uma certa imagem de elegância e autoafirmação por meio das roupas. Isso não tem nada de errado, claro, mas é como se elas pegassem esse estilo pronto das lojas.

18 março 2018

Dream Jeans

A roupa dela está tão linda! Essa calça é maravilhosa, daria pra eu usar com sapatos baixos sem parecer disforme... Eu ia me sentir a própria francesa.
Já faz muito tempo que não compro calça jeans e as únicas que eu tenho eu ganhei, então eu tava pensando numa calça perfeita que dasse certo com meu estilo. Então pensei numa calça que coubesse em mim perfeitamente, que fosse confortável e nada colada. Pra melhorar, o comprimento deveria ser um pouco menor porque eu acho terrível ficar com a calça amarrotada nos pés. Pensei que fosse uma cigarrete, mas parece que ninguém usa mais esse nome. Por estar fora de moda é terrível de achar!

17 março 2018

Não precisa ser tão genérica...

Eu sou fascinada pela estética dos anos 90, pelos excessos que o minimalismo de hoje não tem mais e porque boa parte da cultura que gosto desde pequena vem dessa época. Chegou um momento que eu decidi que quero me vestir como se estivesse naquela época. Até meu pijama parece com o da Sabrina Spellman. Eu acho que realmente combina comigo e com os personagens que moram em mim.

E aí, eu vi uma garota vestindo vários elementos dessa época juntos: cinto, blusa de gola alta por dentro da calça e pochete. Ela parecia tão caricata, porque essa "releitura" dos anos 90 que fazem hoje transforma algo de tanto significado em uma "brincadeira", que eu acho terrível. A moda tem tanto a expressar! E quando essa garota carregou a pochete na mão e não colocou na cintura em momento algum, me deixou mais indignada porque por mais que a roupa estivesse linda ela não passava de uma pessoa querendo fazer o que todo mundo tá fazendo.

Li esse texto em que a autora fala que adora usar o estilo náutico quando chega o verão, e que sempre usava suas roupas listradas nessa época, mas com muito medo de que parecesse muito trendy. Daí ela procurava meios sutis de vestir esses elementos sem parecer genérica. Ou melhor, não usar nenhum dos elementos do estilo náutico e mesmo assim parecer que está entrando em seu barco. Sem parecer que ela está vestindo aquilo só porque está na moda, mas porque ela realmente gosta desse estilo.
Minha mãe é minha maior inspiração nesse estilo, porque eu lembro de vestir as roupas dela quando era pequena e não via a hora de crescer e usar tudo. Boa parte dessas roupas se perderam, mas sempre que eu visto a blusa de gola alta por dentro da calça eu me sinto o máximo, e quando eu uso uma fivela compridinha ou um relógio simples eu também me sinto lá.