30 março 2011

- Antes de existir fotografia eram os pintores que guardavam as pessoas.

26 março 2011

É isso mesmo o que você é? Se eu soubesse o que encontraria não teria lutado, teria afundado minha vida em um sofá qualquer.

a síndrome de vira-lata

Pergunta: O que é decadência nacional : Restart , Hori , Cine , etc ou Funk ? 
Resposta: Decadência nacional é você ser brutalmente agredido tanto física quanto verbalmente por se apaixonar por uma pessoa do mesmo sexo. Decadência nacional é você renegar pessoas do próprio país, é você achar a cultura do país que você NASCEU uma porcaria, é você julgar uma pessoa pelo lugar em que ela nasceu. Decadência nacional é você viver no Brasil e pensar que vive na Europa e sempre que olhar para uma pessoa “de baixo nível” como se tivesse bosta em baixo do nariz. Decadência nacional é você não se importar se existem animais sendo agredidos ou pessoas comendo o resto da sua comida. Decadência nacional é você se preocupar com o que o dinheiro lhe trará de bom e não o que o seu amor levará de bom a outra pessoa. Isso é decadência nacional. O que as pessoas ouvem ou deixam de ouvir é o menor dos nossos problemas.

21 março 2011

Curto e lento

Eu já não lembro
Se lembro, é muito pouco, tão pouco que...
Eu já fui bom.
Eu sei que já fui.
Juro que tenho sido bom durante um certo tempo.
A questão simples é que não lembro de que tempo foi
Mas não importa agora
Importa que agora quero gastar minhas energias em outro algo.
Ser mau me corrói me faz bem. Me faz um ser bom
Sei que ainda sou. Dos piores sou o melhor que tem
Na verdade, o tempo em que fui bom já está muito pra lá do fundo do esquecimento
Não lembro de cheiros, gostos, gestos, fotos e nem sons.
Não faz sentido algum. Nenhum dos cinco.
Está bem a fundo de minha memória, já gasta
Minha memória, que porcaria é essa
Lombro-me de que um dia, no tempo em que era bom (ótimo, lembrei de ser bom) aprendi que usa-se um traço para dizer-se o que se fez. Eu nunca usei esse traço.
Não no fim de frase
Aprendi que no fim de tudo não há beleza.
Não existe fim feliz. Feliz é um. Fim é outro
Separados e inquilinos de placentas diferentes.
Mas de mesma mãe.
Quem é essa mãe que originou duas coisas. Duas sementes. (que quando germinadas dão o mesmo fruto.)
Lembro-me de ter sido bom. Eu sei que fui.
Lembro bem, posso até gastar minhas poucas energias da minha memória hipócrita em tentar lembra como fora.
Eu conhecia alguém. Alguém que tinha todos os nomes. Não, apenas um. Só um.
"Meu"
Era esse mesmo, esse era o nome.
Lembro que esse nome me era bom, esse nome me fazia ser bom e hoje já não me faz mais.
Quem é o dono desse nome?
Não sou eu. Eu, jamais.
Você. Você é o dono e agora sabe disso, já lembrava que era você desde o início: quando eu disse que lembrava.
Por que se calaste? Porque já não sabes mais falar.
Porque agora já não lembra-se mais de como é o nome da pessoa que te faz bom e agora és mau.
Como eu sou.
Agora lembro.
Agora trago a memória aquilo que me dá desgosto.
Tenho na memória o fato (curto e lento) de como fiquei mau e quem a mim fez isso.
E como dói. Como dói prender-me a tão pouco.

20 março 2011

Eu ainda lembro de tudo. Cada segundo, posso sentir a respiração dele em minha pele, aquecendo meu corpo por inteiro. Consigo ver ainda sua mão em choque com a minha e eu torcendo para que aquilo não fosse um sonho. Perda de tempo.
Sua mão em choque com a minha. Choque, nada de toque.
Eu te abracei. Eternamente te abracei.
Senti seu corpo de encontro ao meu em uma velocidade absurda e ao mesmo tempo milimetricamente correta. Como se tudo já fosse ensaiado e bem elaborado, porque nossas falas eram dramaturgas. Você é poeta e isso causou em mim

19 março 2011

Casa?

Michel Melamed - Refurgitofagia.
"Casa comigo

casa comigo que te faço a pessoa mais feliz do mundo.
a mais linda, a mais amada, respeitada, cuidada...
a mais bem comida.
e a pessoa mais namorada do mundo e a mais casada.
e a mais festas, viagens, jantares...
casa comigo que te faço pessoa mais realizada profissionalmente.
e a mais grávida e a mais mãe.
e a pessoa mais as primeiras discussões.
a pessoa mais novas brigas e as discussões de sempre.
casa comigo que te faço a pessoa mais separada do mundo. te faço a pessoa mais solitária com um filho pra criar do mundo.
a pessoa mais foi ao fundo do poço e dá a volta por cima de todas.
a mais reconstruiu sua vida.
a mais conheceu uma nova pessoa, a mais se apaixonou novamente...
casa comigo que te faço a pessoa mais “casa comigo que te faço a pessoa mais feliz do mundo”.

18 março 2011

"Mas aquele que beber da água que eu lhe der nunca terá sede; pelo contrário, a água que eu lhe der se fará nele uma fonte de água que jorre para a vida eterna."

17 março 2011

Brincar de viver.

"Redescobrir seu lugar
Pra retornar
E enfrentar o dia-a-dia
Reaprender a sonhar
Você verá que é mesmo assim, que a história não tem fim
(...)
A arte de sorrir cada vez que o mundo diz não
Você verá que a emoção começa agora
Agora é brincar de viver
E não esquecer, ninguém é o centro do universo
Que assim é maior o prazer"
Maria Bethânia

15 março 2011

"e no meio de tanta gente eu encontrei você"

Imagina se de repente um caminhão viesse e batesse contra esse ônibus, exatamente onde eu estou sentada.
Pronto, imaginei, não deveria, agora vou ficar neurótica e pensando que isso vai mesmo acontecer. Até porque eu imaginei tudo muito rápido e real. No tempo que aconteceria.
Eu perdi 20 segundos pensando nisso.
Então, minha morte duraria 20 segundos. Eu veria minha vida passar diante dos meus olhos por 20 segundos?
Eu morreria?
Se eu não morresse, com certeza, ficaria presa entre as ferragens e o repórter ia falar isso: "uma das passageiras, uma jovem de quinze anos está presa entre as ferragens".
Eu, se não morresse, choraria. Choraria? Choraria. Choraria! Chorar era a certeza de que ainda estaria viva e ainda teria tempo bastante para aproveitar a vida. Aproveitar a vida?
Eu choraria de dor. Ia deitar-me, porém presa, entre todo aquele monstro de metal e fecharia meus olhos, esperaria a morte chegar.
Se a morte chegasse? Quando me encontrasse, como saberiam meu nome e como ligariam para minha mãe? Eu não tenho celular, mas tenho cartões. Em nenhum deles tem um telefone, no meu caderno tem o telefone, mas é o telefone da padaria. O cartão, um dos cartões tem telefone, é melhor verificar.
*verificando*
É, tem, mas não dá para ver, é muito velho. É melhor eu aproveitar que o caminhão ainda não bateu e anotar o número em todos os lugares.
*anotando*
Louca, o carro não vai me acertar. É, na verdade não será o carro, mas o caminhão. E as pessoas que estão aqui? Elas gritarão antes de morrer? Elas morrerão, ou só eu, que estou bem na janela: a mercê dos perigos externos.
Esse ônibus está indo muito rápido, é melhor pedir para diminuir a velocidade, é melhor. Mas daqui até o motorista é muito longe, quem sabe quando eu voltar alguém deve ter pego meu lugar e ela morrerá em meu lugar, Meu lugar! Que ato heróico da parte de uma pessoa que nem me conhece.
Pronto, já posso descer. O ônibus cumpriu seu caminho e meus pensamentos estão prontos para serem transportados ao meu inconsciente. Não, eu tenho que registrar isso.

Eu ando vivendo uma certa incerteza. ator.doada

Sombra.

As vezes minha sombra se desvia de mim e vai para outro lugar,
para o seu lugar.
Lugar longe, adentro, afundo, aberto, seu. 
Minha sombra se desvia de mim 
vai para longe do meu lugar. 
Torna-se sua sombra. 
A explicação de quando você olhar para trás e ver dois vultos negros unidos
saindo do mesmo lugar.
Seria eu (?)

08 março 2011

05 março 2011

"We'll meet again, don't know where, don't know when. But I know we will"

Eu devo não esquecer.

Luana Castro diz:
eu não tou falando isso, pedindo pra você mudar..
não, eu jamais pediria pra você mudar.
mas eu tou falando, que a vida dá muitos tapas na cara.
e muitas veezes ela entende ignorancia, como prepotência.
cuidado.
seja um pouco mais humilde.

04 março 2011

Azul.

- Você acha que existe mesmo esse caminho para a "felicidade"? Porque sinceramente, eu começo a desacreditar.
- Não é um lugar, é um estado.
- Mas estado é um lugar, poxa!
- É, eu formulei essa resposta errada. Quer saber, esquece sobre o que é ser feliz. Seja uma.
- Tá certo, eu vou ser sim uma coisa que eu não sei. 
- Sabe sim. Por exemplo, agora eu estou muito feliz. Mesmo eu não sabendo exatamente o que significa, eu estou sendo.
- Ser.
- O quê?
- Nada. Só disse. Estou sendo.
E mergulharam fundo. Entraram no mais fundo daquele mar e descobriram mais que corais, mais que peixes incríveis: viram a vida passar lentamente. Viram a felicidade aflorar no mar.Descobriram que a felicidade é muito mais que estados e lugares.
A felicidade é a cor azul que deixa tudo bem lento, devagar... o movimento dos cabelos dela indo para um lado e outro, lentamente... ele piscando devagar, prolongando a sensação que ela tinha de que ele a olhava. Não queriam mais ir para o seco, pois era apenas quando as dúvidas viriam e o ruim da água é a toalha. 

03 março 2011

Geografia.

- Eu perdi a carona pra vir aqui hoje. Eu perdi um monte de coisa para poder encontrar-me aqui hoje. 
- Não de...
- Pssiu! DEveria sim e aqui estou. Eutenho um segredo para contar. Vem cá.
Em sussuros 
- Eu sou a pessoa mais feliz do mundo por estar aqui. 
Ele riu baixinho, porque já tinha se acostumado com o sussurrado dela.
- Mas isso não é segredo - voltou a voz normal - todo mundo sabe disso. 
- Só agora. Você soube disso agora, só agora.
- Com...
- Você é meu mundo agora. Todo mundo sabe agora. 
- Ótima metáfora. Ótima. 
Ele a abraçou, para concretizar o momento e ter a certeza de que ninguém iria embora. Para ela ficar tão pressionada em seu peito a ponto de não poder falar nada sobre "fim". Mas mesmo pressionada ela teve de dizer:
- Eu tenho outro segredo. 
Com esforço ele entendeu, mas preferia não ter entendido. 
- Cala ai, não fala nada. 
- É só pra dizer que aqui é o melhor lugar do mundo. Do meu. 

01 março 2011

assuntos multi-disciplinares.

- mas pensa bem, se você continuar vendo ele todos os dias pode ser que aconteça o que todo mundo menos quer: ele vai fazer você se apaixonar por ele de novo.
- Impossível, Sarinha, um raio nunca atinge o mesmo lugar mais de uma vez. Só uma vez e é o bastante;