quarta-feira, 29 de junho de 2011

"São tempos puritanos estes nossos"

A vida é uma ópera mesmo, uma grande ópera. Machado de Assis diz, em Dom Casmurro, que Deus escreveu o libreto e Satanás compôs a partitura para montar o espetáculo. E que o teatro onde ele se apresenta é não outro senão esse mundo que habitamos.
(...)Porque às vezes a sensação de experimentar os acontecimentos da vida é essa, a de um grandiloquente espetáculo, repleto de solos, coros, reviravoltas, tramas, risos e lágrimas. É ou não é?
Tudo o que é sólido pode derreter de Rafael Gomes 
cap. 7 p. 231

terça-feira, 28 de junho de 2011

O trabalho.

O garoto sorriu satisfeito do que tinha conseguido fazer. Mais uma vez tocou a mão daquela que um dia o fez esforçar-se, e naquele toque sentiu o calor, sentiu um cocegar de leve no fundo da sua mão e sentiu a vida. 
Aqueles movimentos risonhos o deixava orgulhoso de seu trabalho, orgulhoso de saber que aquela pessoa que estava com as mãos entrelaçadas na sua, era justamente quem o traria mais outros trabalhos: o que significa mais êxitos e mais orgulho. 
Os índios sempre conseguiam fazer chuva depois da dança da chuva, não significa que há magia nela, mas a verdade é que ele não paravam de dançar enquanto a chuva não chegasse. As mães têm medo de deixar seus filhos naquele silêncio porque elas sabem que algo ruim está por vir, então ela prefere ouvir o barulho deles. Isso significa a explicação do seus trabalho: ele gostava de sofrer um pouco porque sabia que no fim estaria bem, além de perseverar até conseguir: não por esforço seu, mas porque a recompensa sempre vem para os que a buscam.
Mas esse trabalho foi diferente, ele sabia que esse com certeza não levaria a outros e ele poderia descansar a sua paz no peito caudaloso da certeza, das palavras que soaram lento e certo:
- Para sempre?
- Sim, para sempre. 
E sempre significa a eternidade que há entre um trabalho e o infinito. 

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Verdadeiramente e definitivamente.

sábado, 25 de junho de 2011

Já teve a sensação de que se você não mudar urgentemente você explode?

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Misantrópica.

E se nós não soubéssemos que a palavras "ciúmes" existisse e ela tivesse tal significado, nós não sentiríamos. Foi quando alguém descobriu isso que passamos a sentir, assim, sem querer porque as palavras existem e de uma forma ou de outra elas vão ganhar seu lugar. E misantropia? Eu não conhecia, nem sabia que existiria uma palavra para descrever tal reprovação. Agora eu sinto, de vez em quando eu sinto vontade de ser eu, e o Eu já não me agrada tanto. Então, "ataques inerentes de misantropia" estão a povoar por esses meus dias. 

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Eles se realizam.





terça-feira, 21 de junho de 2011

ser mais que mais-bonito.

Eu queria ter abraçado pela última vez, a ultima que seria a primeira: única.
Eu queria que jornalismo nunca fosse faculdade de fuga para os que não têm para onde fugir.
Eu queria que as pessoas soubessem mais o que o amor significa.
Eu queria que as pessoas buscassem saber o que o amor significa.
Eu queria que as crianças de hoje gostassem de ouvir folclore, para saber o que é gostar.
Eu queria que o que é bonito não visse o mais-bonito e se tornasse feio, na vontade de ser mais que mais-bonito.

domingo, 19 de junho de 2011

Questã n.2 - Simulado de gramática.

"A ideia de que diariamente, a cada hora, a cada minuto e em cada lugar se realizam milhares de ações que me teriam profundamente interessado, de que eu certamente deveria tomar conhecimento e que entretanto jamais me serão comunicadas — basta para tirar o sabor a todas as perspectivas de ação que encontro à minha frente. O pouco que eu pudesse obter não compensaria jamais esse infinito perdido."
De acordo com o texto, para o autor:
a) a consciência da impossibilidade de participar de todos os acontecimentos diminui a importância de seus atos. 

Perfeito.

Em que esquina a gente se encontra? Onde nós nos encontramos inicialmente? Eu não lembro, nem vagamente, nem de forma alguma. Lembro que de um momento ao outro nós já nos amávamos e o que era feio passou a ser bonito, ou até lindo. É bonito isso. Eu queria voltar ao início, para que lá eu fizesse algo diferente e talvez você dissesse com mais doçura na voz "minha", porque isso me faz perfeita, porque você é a imagem da perfeição pra mim, e ser sua me torna perfeita: ao me olhar no espelho eu já não sou eu, sou sua sucessão de perfeição. 
Pois tu perguntas o que eu entendo de perfeição? Pois eu digo. É aquilo que você não precisa, mas não larga por saber que não acha em lugar algum e sabe do que bem que isso faz. Ser perfeito não é ser bonito, cheiroso e carinhoso, é ser basicamente bom e ser bom requer muito de alguém: só os perfeitos são, então você é um. Você é perfeito porque conseguir ser um, por ser um, eu sou perfeita por ser sua. 
Eu sou perfeita por ter você dentro de mim, porque em qualquer lugar que eu vá eu penso em você, me sinto pesada porque você é grande demais, e não cabe em mim, mas eu quero que você fique, então eu ando com esse peso. Peso bom, como uma prova bem difícil, mas você faz com vontade porque sabe que se esforçar um pouquinho vai ter êxito. Eu com esse peso seu em mim onde quer que eu vá, me faz querer ficar menor para que em mim caiba você. E cabe. 


quinta-feira, 16 de junho de 2011

Sobre ser mulher.


Já fui bem feminina, de um jeito tão feminino que até as próprias mulheres tinham enjoo em me ver pela milésima vez empacotada em um embrulho rosa. Agora nem de rosa eu gosto tanto, gosto pouco, prefiro o azul: se eu pudesse pintava tudo de azul, acho até bom que todas as redes sociais são inicialmente azuis.
Hoje sou diferente, sou meio homem, sempre me pego dizendo "queria ter nascido homem", é claro que minhas amigas enumeram todos os prós disso, mas também é óbvio que os garotos me olhem com um sorriso de deboche no rosto - "maluca". Eles riem porque sabem como é fácil ser homem, e que se eles são mais fortes é porque não têm tantas coisas que os deixem fracos. 
Então, como a Mercedes de Martha Medeiros, eu tenho que me portar como uma moça. Faço tudo direitinho, me esforço um bocado para que no fim eu consiga ter êxito nessa minha tarefa de ser mulherzinha. Só não uso maquiagem, nem tenho objetos de uma cor só, nem me preocupo tanto com meu cabelo. Mas esse sim, o cabelo, me deixa com uma raiva imensa, justamente por eu não gostar dele e precisar dele. 
Então, eu não tenho a capacidade de ser qual mulher eu quiser, porque eu nem queria ser uma mesmo. Só a mulher mesmo, a de verdade e a que quer ser isso, pode escolher todas as suas máscaras com maestria: passando de dona de casa a mulher fatal. Mas isso é ser mulher, porque enquanto garota (e isso não é medido por idade, não necessariamente.) essa variação corre entre: bonito e tanto-faz. É assim mesmo.  Um grupo pensa em meninos e outro em professores. É por ai mesmo. 
Pronto, desabafei. :l 

quinta-feira, 9 de junho de 2011


quarta-feira, 8 de junho de 2011

O segredo.

é sempre verdade que no coração sempre mora um 31 de dezembro, que na alma mora um raio de sol, que na pele mora um travesseiro, que na cicatriz mora um poema de Manoel de Barros, que nos pés moram a grama, que no toque mora um voo de passarinho, que no cheiro mora uma canção de vitrola

terça-feira, 7 de junho de 2011

Para Kaco.


é, ter um amigo que dá suas voltas por Narnia, que possui planos muito bem arquitetados em uma cabeça gigante, que sabe da geometria fancesa, que canta Chico Buarque como ninguém, que não precise passar fio dental porque já tem os dentes mais lindos do mundo, um amigo que consegue obrigar os outros a comer, que gosta um bocado de filmes de terror, que assim como eu ri horrores quando o irmão chora desesperadamente, que é um constante apaixonado e vai rodar o mundo defendendo sua tese sobre essa coisa que sentimos sem querer, e que tem uma amiga magrela e anormal, sim, ter um amigo com o Kodinome que você tem é para poucos.
Sim, eu me amo por ter conseguido caçar um leão como você.
Sobre a foto: você e todos, você e sua lerdeza hipotética, você e seu apêndice, você e terroristas, você e o Victor. Eu bem que tentei ser normal, mas pra isso eu precisaria ter amigos normais, e para ser "normal" for necessário te deixar de novo, eu prefiro ir pro suliano e ficar pertinho de você.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Sobre o artista

8) a relação entre o artista e o autocontrole:
- o artista não deve ter autocontrole em sua vida
- o artista deve ter autocontrole total com relação à sua obra
- o artista não deve ter autocontrole em sua vida
- o artista deve ter autocontrole total com relação à sua obra
do blog de uma atriz.  

É porque alguma coisa me falta.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Eu gosto de coisas pequenas, coisas velhas, coisas que deveriam ser novas, mas eu prefiro as velhas. Exemplo, eu prefiro os temas antigos do blog, porque deveriam ser todos moderninhos, já que estamos falando de inernet, mas eu prefiro o antigo.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Azul!



O vento sopra na praia
E traz consigo lembranças
O passado disfarçado
Pelas nossas esperanças
E sopra também na alma
Levantando-a traz-lhe força
Mas só pra lembrar-lhe o trauma
De ter-se uma alma de louça
Mac Walesko