28 fevereiro 2013

Samba e amor

Mexer no cabelo de Melissa, para Julio, é algo que se pode fazer por séculos. Ela talvez já estivesse cansada de ouvir o quanto ele amava o cabelo dela, mas ele dizia mais uma vez. 
- Eu amo teu cabelo. - e para não parecer repetitivo terminou a frase de outra forma - E o cheiro dele que fica em mim pelo resto da semana. 
Eles continuaram abraçados. Caro leitor, apenas Dom Casmurro capaz de achar adjetivos próprios pra descrever a cena que se corria, porque muitos provam, mas poucos saboreiam da maravilhosa sensação que é estar apaixonado. Mas posso começar tentando explicar a forma com que a cintura dela se encaixava entre as pernas dele, ou como o braço dele em volta do pescoço dela e apoiado em seu colo parecia perigoso e reconfortante; sim reconfortante, pois ela tinha a cabeça sobre seu braço e uma das mãos segurava-o. Ela precisava tocá-lo. E por fim as suas mãos encontravam-se no meio do caminho, entre suas pernas, entrelaçadas, para demonstrar algo de carnes, como um filme que tem cenas simples, mas representativas. 
A atmosfera que cobria aquele ambiente era de tamanho conforto, que ao descrever tenho a certeza que seu coração, leitor, irá bater mais calmo e rápido. A luz que iluminava muito pouco vinha da fresta da janela, coberta por cortinas brancas de um tecido muito fino, provavelmente trazido da Índia; os lençóis eram um de seda azul e outro de seda dourado, trazidos provavelmente da França. A janela era imensa e ficava exatamente a frente da cama, com pouco esforço dava pra ver através da cortina e do vidro uma paisagem linda; não que uma cidade em pleno fervor parecesse bonita, mas eles amavam aquela vista. A parede era pintada de dourado, mas do topo até a metade dela havia arabescos pintados. E pintados a mão. Uma mesa retangular e comprida com tampo de vidro e pés de metal pintados de dourado estava coberta de objetos pessoais e alguns itens decorativos e acima dela havia duas prateleiras com livros, cds e até alguns discos. Em outro canto do quarto havia um toca discos sobre uma vitrola. 
Por mais que ela não quisesse sair dali ela decidiu se levantar, retirar o lençol azul que a cobria, andar até a prateleira e pegar um disco muito adorado, caminhar até a vitrola e melhor tudo com música. Ela andou até a janela, olhou entre a fresta e muito rapidamente viu todas as coisas já conhecidas, e sorriu por não estar lá fora, naquela manhã sem muito sol. 
- Melissa - a voz forte dele, porém adocicada agora, interrompeu todos os pensamentos dela - quando você vai contar?
- Nunca. Ele jamais vai saber de nada e se por um acaso descobrir será perfeito para ele decidir ir embora e desistir de tudo. 
- Não, Melissa, não... Ele tem que saber, eu me sinto cansado com tudo isso, do esconderijo e dos tratamentos falsos que damos um ao outro quando estamos em público. Eu queria tanto te levar no meu quarto, te beijar na rua ou andar sem medo que tenha alguém me espionando. 
Ela foi andando na direção dele e deitou sobre ele, mais para encostar o corpo dela no dele, para ele sentir. O rosto dos dois ficaram alinhados
- Jura que não suporta isso? - nesse momento a boca dela já tocara a dele e os braços dela já tentavam envolver seu pescoço. 
Ele não respondeu. 
- Eu preciso de você, Melissa. Preciso demais. Posso a qualquer instante ter crises de abstinência. 
Ela puxou ele e foi se levantando, iniciando uma certa dança, em que os pés deles quase não saim do chão, mas era dança. Ela o beijara da forma mais doce que pode e ele passou a beijar seu pescoço. Ele havia esquecido das reclamações que fizeram quando "Samba e amor" começara a tocar.
- Se a paixão acabar e o amor chegar, eu juro, faço tudo por você. 
- E porque não faz agora? Se sabe que a paixão é grande. E parece pecado duas pessoas se gostarem assim e não ficarem juntas. 
- Eu to guardando o meu melhor pra quando o amor chegar. É pecado estar apaixonado assim e não amar. 

27 fevereiro 2013

Arthur em 13 de 57

Não trocaria você por nada desse mundo.  Eu sei que não há nada nesse mundo que seja mais gratificante que ver teu sorriso depois de te dizer que te amo, e você é a coisa mais linda que eu já pude segurar com as mãos e dizer "é meu". E nosso amor é maior que muita coisa desse mundo, o carinho que você tem por mim é tão grande que eu tenho certeza que quando a gente vai pro cinema todas as pessoas conseguem ficar quetinhas e calmas porque o carinho que tu tá fazendo em mim tá radiando pra mais longe, em raios longos, aconchegando tudo. E eu recebo a melhor parte. Eu quero ser pra você o que você é pra mim, porque se eu conseguir vai ser metade do muito que eu tenho que fazer nessa vida. Para nós não há final ou algo que precise voltar ao que era antes, porque mesmo que dividíssemos o amor que a gente tem agora daria pra 500 anos nesse mundo, mas nosso amor aumenta a cada dia e cada dia que passa não é uma parcela desse amor que precisa ser distribuida, mas ele todo que é multiplicado. Meu amor, nós precisamos de outro mundo, outro universo do tamanho da gente, porque é amor demais pra caber numa via láctea só. Se todos esses grupos de dois juntassem suas bagagens e resolvessem ir para outro planeta juntos com nós dois, um planeta consideravelmente maior, em 2000 anos não se falariam em fim, nem em coisas aquecendo, mas seria tudo diferente, uma realidade absurdamente diferente do que vemos aqui. Nem nomes existiriam. Mas existiria amor, carinho, respeito e cuidado, e viveríamos com todos os outros uma vida perfeita sem nada que nos interrompa, porque não existiriam relógios ou tempo. Eu sei disso porque quando eu estou confortavelmente encostada no seu peito e escuto as batidas do seu coração mais rápidas, e sinto teu cheiro mais forte, não é um tempo real, são eternidades ali e eternidades que eu posso sentir. Eu sei disso. Sei porque te amo. Amo não como a todos os outros, mas de forma única e especial, porque ninguém me ama como você, ninguém jamais teve por mim metade do cuidado que tu devota a mim e meu eu não pode ser impedido de te amar. 

25 fevereiro 2013

Nightmares


Pesadelos são uma espécie de treino para situações de perigo. Fomos selecionados durante milhões de anos de evolução para ter um cérebro que é naturalmente amedrontado - o que explica, por exemplo, o fato de o pesadelo mais comum ser o que envolve algum tipo de perseguição. Ou seja, aqueles que têm muitos pesadelos estariam em vantagem evolutiva, pois ficariam mais alertas e preparados na vida real. 

Quem tem pesadelos plausíveis, como não conseguir terminar uma prova a tempo, por exemplo, costuma ter grande capacidade de concentração e habilidade para separar o pensamento racional do emocional.

"Quem passa a vida tendo pesadelos tem tendências artísticas e criativas que não são encontradas nos outros grupos", diz Patrick McNamara

Se a pessoa estivesse correndo, sua respiração ficava ofegante. Se ela estivesse voando, as áreas do cérebro ligadas a movimentos espaciais eram acionadas. "Isso explica por que os sonhos parecem reais. Para o cérebro, eles são reais", diz LaBerge

Certa noite, sonhei que estava caindo. Era uma queda angustiante, e vi que o chão se aproximava. De repente, percebi que não era a primeira vez que aquilo acontecia comigo - e que eu estava viva e que aquilo só poderia ser um sonho. Foi o que bastou. Nesse instante diminuí de velocidade e caí suavemente no chão. 

23 fevereiro 2013

maybe that's what happens




I spent my time just thinking about you. Every single day, yes, I'm really missing you and all those things we use to do.
Took my heart to the limit, and this is where I'll stay
Girl, I travel 'round the world and even sail the seven seas, across the universe, I go to other galaxies. Just tell me where you go, just tell me where you want to meet.

Wanna have you around like every single day. I love you all way.

Ritual de passagem

- Lembra do dia em que eu te pedi em casamento?
Ela lembrava muito bem, podia inclusive sentir o cheiro que vinha da blusa dele, da boca dele, lembrou até do shampoo que ele usara naquele dia porque ela o tinha dado e era maravilhosamente cheiroso, e certamente o cheiro havia trabalhado junto para que ela jamais esquecesse daquele dia. O cheiro, a imagem e a peça de ouro na sua mão não seria a mesma coisa se ela não estivesse perdidamente apaixonada. E Catarina pode naquele instante de devaneio sentir seu coração bater mais rápido de novo, como se o amasse ainda. 
- Não.
- Como não? Sempre que eu t epergunto você diz que não lembra e eu tenho que te contar de novo.
- Vai ver é isso, eu quero que você conte mais uma vez.
Ela sabia que a versão de Túlio era um pouco diferente da dela, mas enquanto ele contava ela ia vendo em sua mente o filme pela milésima vez. Catarina não fazia ideia do que aconteceria e nem Túlio, porque quando começou a chover e os dois não acharam lugar pra se esconder tudo que eles acharam foi uma joalheria. Enquanto procuravam um lugar pra se sentar sem destruir a mobília da loja, ouviam a música que era de longe a mais adequada para cena seguinte, e viam que o interior daquela loja que eles sempre observavam pela vitrine era certamente o melhor cenário. O vendedor veio na direção de Túlio e perguntou o que ela desejava e pouco tempo depois Catarina já estava sentada e quase seca, ajeitando o cabelo, tirando uma fivela da bolsa e colocando-a no cabelo. Ela olhou para Túlio e ouviu a música e viu o lugar, olhou que um outro casal escolhia alianças e ambos sorriam tanto (o homem menos observando a escolha da mulher . "Seria maravilhoso se você me comprasse algo". Ele revirou os bolsos, esvaziou a carteira e tudo o que tinha, juntando com o dela, dava pra comprar uma corrente de ouro. Depois de comprar ele foi enrolando a corrente no pulso dela, "acho que se decidíssemos nos casar hoje não teríamos dinheiro pra nada", "mas teríamos a corrente, teríamos um ao outro e melhor ainda, teríamos a nós dois 24 horas por dia, você seria minha mulher e eu seu esposo e viveríamos em nossa casa um eterno, uma vida perfeita sem nada que nos interrompa". Catarina parou de olhar pra nova pulseira e olhou para Túlio com o mesmo olhar de quando nos falam de algo maravilhoso que desejamos a qualquer custo. Ele observou seus olhos e entendeu. "Casa comigo, Catarina. Casa comigo e não me deixa dormir só nem uma noite sequer. Casa comigo e me faz extremamente feliz. Eu sei que você quer deixar um legado e seria maravilhoso deixar nosso amor para outros lembrarem como você foi importante. Importante pra mim e pros filhos que queremos ter". 
- Para Túlio

22 fevereiro 2013

Carta de viagem

Eu sei que você quer que eu volte, sei ainda mais que se eu voltar a recepção será diferente de todas as outras. Amor, se eu pudesse voltar meus pés não estariam grudado nesse chão, mas sobre teus pés, ou repousados sobre tua cama, entrelaçados com os teus. Se eu pudesse entrar em qualquer barco e saber que o mar me levaria a você, sem dúvida alguma eu já estaria contigo. Porque sempre que eu ouço aquela nossa música eu choro, e talvez nem seja nossa, talvez inúmeros casais tão iguais a nós chore também quando a ouvem, mas eu não tenho mais lágrimas e não depende de mim estar contigo de novo. Estar contigo é o que eu mais quero na vida. Se perguntassem pra onde eu quero ir nesse segundo eu responderia sem pestanejar se m respirar: no teu abraço. Provando do teu beijo, pisando em teus pés, amassando tua roupa e acariciando teus cabelo. És tu, sempre tu e tu de novo. Loui eu quero voltar pra ti, e talvez tu não saibas disso, porque provavelmente um mal entendido entre tua cabeça e coração tenha causado esse reboliço todo dentro de ti, mas prometo que no instante em que eu puder sair daqui eu volto pra ti, pra te reorganizar. 
Saudade só tem esse nome porque alguém deu, mas se ninguém tivesse nomeado ela talez não existisse e eu não sofreria tanto a tua ausência. Amor, sabe uma dor que desatina bem entre o peito e o estômago, uma outra que no mesmo tempo acontece na garganta e só chorando pra que ela passe? Loui meu, não queira minha dor, queira que eu te encontre logo e te reorganize. Veja, se eu te vejo sofrer, mesmo que assim não veja exatamente, sofro da mesma forma. E tenho guardado em coleção na minha memória todos os teu sons, ruídos, gemidos e risadas. Loui meu, eu volto pra ti e com toda a pressa, mas acalma teu coração que a dor da ausência nunca tarda a chegar, e espero que nem eu, quero curar teu coração. O meu ficará sarado automaticamente com tua presença; eu te quero, tanto e tão fortemente, do mesmo jeito que a cigarra deseja cantar e igualmente o ser humano necessita  de um ser maior que todas coisas. 

Yoani Sánchez

Posso ter muito pouco, porque o mais importante está desta pele para dentro.

20 fevereiro 2013

Juliet é romântica

Se ela morasse nos Estados Unidos ou em qualquer cidade comum de filmes românticos ela poderia deixar um recado após bip e ter certeza que seria ouvida. Mas embora ela fizesse parte de um filme, exatamente igual a todos que ela vira com ele, não dava pra deixar recado ou ir ao parque e de forma lenta e gradual ele se aproximaria e daria início a uma conversa há muito adiada. Ela tinha que ir lá. Mas ela é cinematográfica, ela precisava fingir que nevava e vestir casacos ou qualquer peça de lã que cobrisse os pulsos, para que os espectadores pensassem que de tanto sofrer e cantar os pulsos já não eram mais tão pálidos. Ela pensou na conversa que teria e decidiu escolher outro nome pra si mesma... como seria mesmo? Não ridículo, não típico e não o dela, mas bonito, simples, romântico, sofrido, um nome Juliet. Com T mudo para ficar bonito no fim dos diálogos quando ela imaginasse ele dizer "eu não te amo mais, Juliet". 
Não, não é drama, não é querer sofrer. Ela chama isso como todos os entendidos chamam: arte romântica. 
Juliet é romântica, e não é porque tem o mesmo nome da personagem mais famosa do mundo, mas porque sabe que amar não tem nada a ver com os órgãos e sim com algo invisível e intocável, mas sensível. Amor pra Juliet é andar na praia e sentir os grãos de areia baterem no corpo, ela comparava assim porque achava essa sensação uma delícia. Porque ela nunca via o mar. Porque ela nunca amava. 
O diálogo já estava todo pronto, obviamente ela falaria mais e no fim ela ia enxugar a lágrima no canto do olho direito com a ponta da manga do moleton de lã. Trilha sonora? Não não nem pensar, nas piores cenas não toca música parar que todos prestem atenção especificamente na voz, na boca. E a boca sim é algo sedutor, imoral e cativante. 
Isso, seria um close nas bocas, para que vissem a dele tremer um pouco no canto superior quando ele dissesse a ultima frase. 
- Larissa? 
- É, sou eu Ricardo. Não conversamos direito da ultima vez e imagino que algumas coisas devam ser ditas. Da minha parte eu quero...
- Não podia ter deixado uma mensagem? Um bilhete? Até uma carta se você quisesse ser romântica. Teve que vir aqui?
- Escuta... Eu não entendi nada do que você disse na semana passada e eu vim pra dar um jeito em tudo, vim te ouvir, mas antes eu quero dizer que...
- Larissa, eu não sei o que você pensou em dizer, mas não importa, é isso o que acontece no fim.  No fim de todas as coisas nós voltamos a ser o que éramos a antes de ser. Nada. 
- Mas não morremos. E já que estamos o que éramos antes de ser podemos começar a ser agora, como um ciclo que começa e não tem fim.
- Porque o amor tem fim
- Por que você fala do amor como se você soubesse dele? Como se você entendesse muito bem o que vem antes durante e depois? ou como se amor fosse alguém o algo que pudéssemos estudar.
- Porque eu te amo, Larissa. E a pior dor que já explodiu em mim é essa, que tá aqui dentro agora, essa de amar e não ser amado. Agora vai embora antes que ele chegue aqui e te veja, eu não quero que tudo aquilo comece de novo. 
- Encontros e desencontros só acontecem em filmes, o Júlio me explicou.
- Ele te explicou também que se aproximar de alguém pra chegar a outra é coisa de filme? Não? Não explicou?

14 fevereiro 2013

Valentine's day Arthur em 12 de 57

Relaxa, ninguém entra aqui :) Só quero guardar essa foto pra sempre

I'll make you this guarantee... No way November will see our goodbyes. When it comes to December it's obvious why no one wants to be alone at Christmas time. Come January, we're frozen inside, making new resolutions a hundred times. February won't you be my valentine? And we'll both be safe till St. Patrick's day.
Everybody it seems to be, just wants to be, just like you and me.
our always is all that we gave
- John Mayer 


08 fevereiro 2013

Sempre. sempre sempre


Arthur em 12 de 57

Brew, to meio mal com toda essa história de faculdade, acho que agi como um babaca, por isso te devo desculpas. Pensei direito e vi que devo te apoiar 100% se é isso que te deixa feliz e por isso eu te devo desculpas também... E se algum dia você for roubar um carro eu vou estar lá pra te ajudar, tá ok? Eu te amo Brunna, mas é muito. E não dá pra eu te dar tudo agora, mas se você ainda quiser eu posso te dar por uma vida inteira, tá? 
p.s: caara! terei uma esposa letrada. 
Tutu
08/02/2013 13:09

Faz ideia do quanto isso me deixou sem palavras?

Porque ele dá importância. Porque ele sabe que eu vou precisar um dia.


A verdade é que provavelmente nós não estejamos nem no cinema, nem no teatro e nem na música, mas exclusivamente na literatura. Essa é a melhor parte de todas, porque o Drummond não escreveu pra gente, mas é como se fosse. 
Ah. e essa fase de mar revolto logo passa, rapidinho voltaremos a navegar na calmaria do mar das nossas palavras, como sempre navegamos, assim perto, assim longe.