27 fevereiro 2016

Rainha

Ó abelha rainha
Faz de mim um instrumento
De teu prazer, sim, e de tua glória
Pois se é noite de completa escuridão
Provo do favo de teu mel
Cavo a direita claridade do céu
E agarro o sol com a mão
É meio dia, é meia noite, é toda hora

Lambe olhos, torce cabelos
Feticeira vamo-nos embora

É meio dia, é meia noite
Faz zum zum na testa
Na janela, na fresta da telha
Pela escada, pela porta
Pela estrada toda à fora
Anima de vida o seio da floresta
Amor empresta a praia deserta
Zumbe na orelha, concha do mar
Ó abelha boca de mel
Carmim, carnuda, vermelha
Ó abelha rainha
Faz de mim um instrumento
De teu prazer, sim, e de tua glória.

19 fevereiro 2016

18 fevereiro 2016

The Style Pro

O melhor guia das melhores expressões possíveis!

12 fevereiro 2016

The 27 Club

"sometimes it felt like I was trying to contain a thunderstorm inside of me—I had flashes of anger that burned my stomach, I often wanted to cry so hard I couldn’t breathe, and the world around me was tinged gray like I was living inside a dark cloud."

"Even though they died young, they had managed to leave behind an incredible legacy, and that was inspiring."

"sometimes it felt like I would never escape the tumult of emotion inside of me, so I might as well embrace it and use it to make stuff, and then when I didn’t feel like I could cope with it anymore I could just let my illness consume me."

I wish they’d never gone and joined that stupid club. ♦

Stephanie Kuehnert, para Rookiemag

09 fevereiro 2016

Totoro and The Huge Tree in the Tukamori Forest



風の通り道

"This song is magic transcribed into a form which our ears can understand", nos comentários maravilhosos do vídeo.

O prazer de encontrar uma música que pareciam estar escondendo de mim. É uma viagem de catbus.

06 fevereiro 2016

skipping class and kissing in the library

skipping class and kissing in the library

Ghost World, production polaroids (2001)


It's just an excuse for us to spend time with you, Josh.

I thought "everything must go".



Joey McCobb is our god.

I'm totally convinced they're Satanists.



Since when were there mini-malls in the 1950s?



Sobre pais intolerantes e filhos insuportáveis.

Estava eu conversando com uma colega de trabalho e sobre o fato de eu odiar abuso de poder, inclusive vindo dos pais; se o pai diz "não", é de se esperar que o filho entenda o que aquilo significa, porque no fim das contas se o pai não fala ele acaba saindo como um ditador autoritário. A colega disse que não, que existe essa relação de autoridade. Dei o exemplo da mão que fez mudanças no quarto do filho e quando ele disse que não gostou e perguntou o motivo, ela só disse "porque eu quero". No fim ela só gostava de dar uma mudada. O filho teve que se acomodar em um quarto que era seu, mas que não lhe trazia felicidade, só por causa de uma neurose da mãe, que se ela tivesse explicado eles poderiam "dar uma mudada" de modo que agradasse os dois. A colega disse que o namorado dela um dia reclamou pra sogra que não achava justo que ela mandasse que a filha (minha colega) resolver certos problemas que não eram dela. Minha colega reproduziu o diálogo - monólogo - com prazer imenso: "enquanto ela estiver na minha casa, comendo da minha comida e vivendo sobre as minhas regras ela vai fazer o que eu quiser e se você achar ruim ainda dá tempo de deixá-la e ir embora". Os filhos têm uma obrigação com os pais tanto quanto vice-versa, mas é uma obrigação de puro amor. Não se pede pra um filho fazer um favor porque ele deve a casa, a comida e tudo mais, mas porque da mesma forma que os pais, por amor, oferecem tudo isso a ele, ele vai, por amor, achar várias formas de agradecimento. Dei outro exemplo de uma mãe que, por uma bobagem, achou que o namorado da filha não era gente boa e mandou ela terminar o namoro. Minha colega disse, orgulhosa, que já tinha terminado um namoro porque o pai tinha mandado e depois viu que o rapaz não era realmente o que ela precisava. Contou também que para que o atual namorado pudesse ter a permissão do namoro levou cerca de seis meses, porque o pai dela não era muito favorável, pois conhecia a "fama" do rapaz que pelo que entendi não era muito "boa". Ficou evidente que da primeira vez ela não gostava do garoto o suficiente pra confrontar o pai, mas da segunda vez ela esperou o tempo necessário pra que o pai largasse a "birra" e "aceitasse". Garota, quem tem que aceitar é você! Seu pai não ensinou você a fazer escolhas conscientes? Ele achou por bem, a sua vida toda, impor sua vontade e nunca explicar pra filha o que aquilo significava porque muito provavelmente ele não espera que em algum momento ela vá viver com as próprias escolhas. Percebi que minha colega não podia questionar os pais, aceitava tudo o que eles diziam e se caso discordasse de início eles mandavam ela se recolher a sua ingenuidade. Tudo bem, esse é o modo tirano dessa família, mas minha colega é uma pessoa que não aceita opiniões, ela briga e grita e como uma criança de cinco anos que não sabe do que fala, mas acha que sim, discorda de quem pensar diferente, as vezes até porque "meu pai que disse". A garota chega a ser insuportável. O modo de criação dela deve ter sido muito agradável pros pais, mas pra ela, coitada, que tem que sobreviver nesse mundo deve ser um mártir iniciar uma discussão ou um debate e em segundos terminar falando sozinha porque ninguém suporta falar com pessoas intolerantes e insensíveis.

05 fevereiro 2016

O livro roxo.

Era um pensamento muito simples, muito ingênuo, mas refletia a mentalidade distorcida que tínhamos nós, filhos de camponeses de renda média, alvos da opressão política. Uma morte gloriosa era muito melhor do que uma existência sem sentido. 
Mo Yan, "Mudança", 2010

04 fevereiro 2016

A consciência é, segundo Freud, a parte que faz você saber das coisas, sendo elas qualquer coisa. E paixão chega a ser coisa. Chega a ser qualquer. Larissa já havia tomado consciência da sua paixão e sabia que se permitisse mais um pouco chegaria ao inconsciente e seria inesquecível a sensação. Tremer parece horrível quando se trata de medo ou raiva, mas é excitante quando se trata de paixão, justamente porque unia as duas sensações ruins e ao ver dela menos com menos é mais.

de fevereiro de 2013. Eu estava nessa vibe.

03 fevereiro 2016

That's too bad...

Uma carta aleatória, certamente pro gato. Gostaria muito de saber sobre o que eu estava falando, algum absurdo com certeza.

Meu amor, eu sei que você está muito zangado comigo e to até com vergonha de vir te pedir desculpas depois do que eu fiz, mas teve uma vez que fiz algo que te deixou muito pior e mesmo assim você aceitou minhas desculpas, lembra? Bem, na realidade eu não sei bem porque fiz aquilo, mas acho que foi porque eu estava muito triste, eu realmente fiquei triste por toda aquela situação porque a gente estava super bem, de um jeito diferente, né? Só fui perceber quando já era tarde e não queria ligar também, porque sabia que agente ia acabar brigando e eu não queria ter brigado com você, mesmo. Fiquei mais zangada porque acabei brigando com você, porque falei bobagem de novo pra você e eu realmente não queria ter dito aquilo ou ter feito você ficar chateado. Meu bem, me desculpa >< mesmo, mesmo, não apenas um "tudo bem", porque acho que dessa vez eu não fui só uma otária eu fui uma estúpida também, porque bem...

E sobre a história da sua família também, eu devia ter ido ou ter dito que não queria ir de outro jeito, mas eu sou ignorante pra caramba e eu venho trabalhando nisso desde que a gente começou a namorar, porque não quero te deixar triste por causa do meu jeito idiota. Não prometo fazer mais parte de tudo, mas se um dia surgir outra oportunidade como essa eu juro que não dispenso porque sei que você fica feliz quando vê que a tua família gosta de mim, eu percebo, sabe? é tipo como você dissesse "viu gente eu fiz boa escolha". E eu me sinto feliz também. Mas também não dá pra negar que eu fico meio desconfortável quando to lá e enfim, acontecem algumas coisas.

Não estou com raiva de você, nem magoada, nem chateada, nem nada, porque depois dessa semana incrível que a gente passou depois da sua volta eu percebi que não há pra que brigar se eu sei que sempre vou ter você que mesmo você seja chato comigo eu vou ter que te aturar, porque eu te amo e não sei viver sem você, só isso, então pra quê brigar, certo? Nada do que você fizer vai me fazer te amar menos mesmo, aliás, eu acho que to te amando mais a cada dia. Então, me desculpe, ok? Bem, não queria ter brigado mesmo, e muito menos passar um aniversário sabendo que você não tá happy comigo :/ Então, quando ler isso se não tiver me ligado ainda, call me, ok? and ask "do you know that i know that you love me?" <3 Because I love you.

02 fevereiro 2016

Estética

ADJECTIVE:

1. Beautiful.

2. Sensitive to or appreciative of art or beauty. Someone who loves art.

3. Relating to the philosophical principles of aesthetics. Principles of/about art.

NOUN:

A set of principles about art.
The modernist aesthetic. 

* * *
Something that tumblr weirdo's say way too often and use it for every damn thing under the sun. A generally annoying word.

* * *

Relating to something that looks good or pleasing to the eye.

* * * 

A combination of things that are pleasing to look at
Exemplos: 
Heavanly Creatures

The Virgin Suicides

Fantastic Mr. Fox

Significados de "aesthetic" no Urban Dicitonary. 
Estou apaixonada por um dicionário que traz a proposta de ser livre, porque as palavras se permitem. 

Quantas cartas escrevo nessa vida?

É muito difícil escrever qualquer coisa pra você, mesmo que um feliz natal, porque eu sempre fico nervosa. Nunca aprendi a lidar perto de coisas grandes, pra mim você é enorme, você carrega consigo o próprio mundo e as vezes eu sinto como se pudesse vê-lo.

Bebel, esse ano foi muito diferente dos outros, eu não sei bem o que esperar do próximo, mas ter conhecido você foi um dos melhores acontecimentos da minha vida, salvou esse ano.

Esse ano não foi o melhor, esse ano eu tive muito medo, esse ano eu imaginei que jamais conseguiria fazer na minha vida aquilo que eu tenho que fazer nessa vida. Sempre fiquei nervosa perto de você, sempre tive medo de falar com você, era como um dos filmes que eu assisto e em alguns momentos tenho que recuperar o fôlego porque esqueço de respirar, fico absolutamente paralisada. A sua presença é absoluta, em qualquer lugar, você preenche todos os espaços. Esse ano pra mim foi marado por uma morbidez imensa, por uma existência sobrenatural que me roubava os dias, eu não lembro de quase nada desse ano. Eu me lembro de todas as suas aulas. Eu me lembro de implorar pra que o tempo fosse generoso comigo e não me deixasse perder sua aula. Mas, eu nunca consegui te ver entrando na sala, deve ser triunfal, eu tenho certeza. A sua voz é um deleite. A entonação da sua voz, eu nunca soube sinceramente o que significava "prestar atenção" até que passei a dar, conscientemente e voluntariamente, toda atenção que eu tinha, facilmente, a você. Eu fiquei maravilhada. Eu sempre tentava contar a alguém tudo o que você tinha me contado, eram como histórias de redenção que libertaria a alma de quem as ouvisse assim como eu me sentia livre ao ouví-las. Eu gostaria que todos pudessem sentir aquilo que eu sentia, eu queria que ser capaz de trazer alguém à consciência do poder que possuímos. Mas, eu não sou você. Esse ano eu senti muito medo, eu queria ter coragem de conversar com você e dizer que eu precisava de ajuda, já que você disse que poderíamos conversar com você se precisássemos de ajuda, eu vivia com muito medo e esse era o problema; cheguei a pensar que eu estivesse doente, que eu precisaria de algo mais severo pra me livrar de todo medo que eu estava sentindo, porque eu imaginava que a qualquer momento algo poderia me acontecer; teve um dia em que eu senti um medo horrível e um sentimento apavorante, eu não sei explicar, mas ninguém seria capaz de entender, então eu nunca falei com ninguém sobre isso. Mas eu queria ter tido coragem de falar com você, sei que você teria me acalmado, porque apesar do nervosismo que eu sinto quando falo contigo, é um nervosismo que me aquece o coração. Nesse fim de ano eu descobri que tenho um problema patológico de ansiedade e não sei como me curar, mas quando falo com você, por exemplo, eu me sinto bem. 

01 fevereiro 2016

Sobre apropriação cultural

"[...] O que para um povo é tradição para outros é fantasia. [...] Vimos os convidados fazendo do cabelo crespo um acessório, um fetiche ocasional. Anos de imposições estéticas baseadas no cabelo liso como padrão desejado, [...] e crianças negras crescendo acreditando que nosso cabelo é um grande problema. Então uma mulher branca faz dele um adereço como se fosse um colar, para um evento? [...] Nós negros não estávamos lá em peso, mas nossas roupas e cultura sim. [...] Não servimos para ser eleitas como bonitas, mas nossa cultura serve para ser apropriada, foi isso que a Vogue disse. [...] Algo que também vem se popularizando no Brasil são festas com nomes negros, mas realizadas em bairros de classe-média-alta com público quase 100% branco. Reafirmando a máxima que a cultura negra é popular, mas os negros não.[...] ser negro no dia-a-dia não é se vestir a caráter e desfilar num ambiente elitizado, mas sim ser confundido com bandido pelo simples fato de andar na rua [...]."
de Stephanie Ribeiro, Estudante de Arquitetura da PUC de Campinas (SP) e ativista feminista negra para HuffPost  Brasil.