sábado, 17 de junho de 2017

quinta-feira, 15 de junho de 2017

Não quero esse paradigma!

     "Na primeira aula de escrita para uma turma de pós-graduação, fiquei apreensiva. Não com o conteúdo do curso, já que estava bem preparada e gosto da matéria. Estava preocupada com o quê vestir. Eu queria ser levada a sério. Sabia que, por ser mulher, eu automaticamente teria que demonstrar minha capacidade. E estava com medo de parecer feminina demais, e não ser levada a sério. Queria passar batom e usar uma saia bem feminina, mas desisti da ideia. Escolhi um terninho careta, bem masculino, e feio.
     A verdade é que, quando se trata de aparência, nosso paradigma é masculino. Muitos acreditam que quanto menos feminina for a aparência de uma mulher, mais chances ela terá de ser ouvida. Quando um homem vai a uma reunião de negócios, não lhe passa pela cabeça se será levado a sério ou não dependendo da roupa que vestir — mas a mulher pondera.
Chimamanda Ngozi Adichie. Sejamos todas feministas. 2015. p. 40, 41.

     "A década de 1980 ficou conhecida pelos excessos e também pelo power dressing, o estilo de vestir dos profissionais do mercado financeiro norte-americano. (...) Terninhos, blazers com ombros marcados por ombreiras, blusas de gola alta e saias na altura dos joelhos. O look virou um statement para mulheres que buscavam sucesso e respeito em ambientes majoritariamente masculinos."
Chantal Sordi. Poder à vista. Elle Brasil. Edição 348. Maio de 2017. p. 69. 

     Essa semana finalmente li o livrinho da Chimamanda e decidi também ler a revista da Elle inteira (não apenas ver as imagens, mas de fato ler). Quando li essas duas partes eu acabei me identificando. Li o texto da Elle primeiro e fiquei pensando: uau! realmente é um jeito de chamar atenção e conseguir um pouco de confiança. Eu sofri com isso no trabalho, por ter sido menor aprendiz e dar a primeira impressão de menina adolescente, ninguém me levava muito a sério. Comecei a me apaixonar obsessivamente por roupas de mulheres em escritório, o que eu chamava de "Girl Boss". 
     Mas lendo o texto da Chimamanda eu me perguntei: por que? Por que eu tenho que me vestir assim pra que me deem atenção e confiem no que eu posso fazer? E aqui não falo como na história do cientista no Pequeno Príncipe que só foi levado a sério quando trocou suas roupas de palhaço por ternos padrões. Falo de eu achar que me vestindo com elementos das roupas masculinas faria com que tivessem uma visão melhor de mim: por eu não ser feminina: pelo look masculino. Por que o "girl boss" só é boss quando é o mínimo de feminino possível? 
     É difícil agora dissociar o que eu gosto desse pensamento, pois o que eu realmente acho bonito são calças de cintura alta e todo aquele poder da mulher nos anos 80: a Julia Roberts no auge que no Casamento do meu melhor amigo vestia ternos masculinos pra contrapor a imagem de princesa da sua rival e nos dar uma ideia de que a mocinha de vestido era bem mais burra e fútil do que a poderosa Julia de blazer, sapato baixo e calça de alfaiataria que exalava inteligência, perspicácia e sucesso. 
Assim como a Chimamanda fala no livro, também estou tentando desaprender várias lições que aprendi com relação a gênero.

quarta-feira, 14 de junho de 2017

A Clara deve ter lido muito nessa vida

     Hoje tive certeza de que minha professora dá aula na minha turma de faculdade particular com menos qualidade do que nas suas turmas da federal, que pra ela é sofrido ter que ficar fazendo vários trabalho pra dar pontos pra uma turma que simplesmente não aprende o que ela ensina, porque nas federais o nível dos alunos é bem mais alto de modo que aqui na minha turminha de particular ela só consegue dar o básico.
     Me senti péssima.

     Esse semestre eu fui horrível, fiz apenas três cadeiras e fui horrível na que eu mais gostei, exatamente a cadeira dessa professora. Eu, no fim das contas estudei pra passar, algo que totalmente odiava na época da escola porque sempre achei que estamos aqui pra aprender e não pra marcar pontos. Mas se eu não estou nem conseguindo marcar os pontos imagine aprender! Quer dizer, como poderei um dia defender as causas que acredito se o que eu sei não passa do básico? Se eu estou na universidade eu sinto que deveria criar, fazer algo novo que só é feito com criatividade vinda do conhecimento.

     Eu fui totalmente relapsa.

     Ao mesmo tempo eu encaro minha condição de quem trabalho oito horas por dia e morre tentando estudar nos fins de semana, porque eu estou totalmente cansada pra qualquer coisa. Vejo depoimentos de pessoas que sentem-se pressionadas pela faculdade, mas eu penso que "se eu não trabalhasse eu faria diferente?", e penso também nos professores discutindo com os direitores "mas eu não sei o que faço! Meus alunos simplesmente não estudam! Não sou mágico!!" ~e sobre essa professora posso falar com sinceridade pq ela realmente ensina muito bem, o conteúdo básico que ela ensina ;e realmente muito complexo e confesso que eu simplesmente não estudei. Mas nos fins de semana eu estou morta e não tenho outra hora pra estudar, isso parece tão abusivo! Fico pensando: eu me coloquei nessa posição quando decidi fazer uma particular ao invés de uma pública. Mas a pública não é pra quem não tem dinheiro: é pra quem pode e eu não posso. Como eu posso lutar pelos direitos das pessoas que no futuro enfrentarão o mesmo dilema terrível que eu se eu não entendo bem os direitos fundamentais dessas pessoas para chegar na frente daqueles homens velhos e pedir uma mudança bem fundamentada, que nem a lei Maria da Penha ou outras leis que nos salvam.

      Parece loucura, mas queria sentir prazer lendo livros de direito tanto quanto livros da Clarice ou artigos na internet. O prazer de estudar... quem me dera.

      Eu espero não enlouquecer! Espero mudar de vida, quero ser aquela mulher inteligente que tem propriedade quando fala, que entende das coisas a sua volta, que não se deixa levar, mas que não é mesquinha ou nem se ache as pregas só pq viajou daqui pralí ou leu umas palavrinhas em alemão. Essa mulher:







Liniker

Depois que meu feed do instagram virou uma galeria de arte eu fico me enchendo de beleza, mas essa, nossa, essa foi de matar:

segunda-feira, 12 de junho de 2017

Não chamo de apropriação cultural, mas a apropriação da moda é sempre patética!

     "É uma diferença de conta bancária, basicamente

     A ideia é brincar de ser pé-rapado e ferrado sem ter de passar por isso. Uma espécie de café descafeinado versão fashion. Ou seja, o mendigo parece estiloso e tem esse ar largado interessante (talvez seja a falta de comida, dinheiro e casa, hã? Que tal essa explicação? A colocação aqui, como a barba, é irônica…), mas ninguém quer ficar na sarjeta para entrar no modelo, correto?

     Uma pessoa que trabalha no banco e ganha salário mínimo provavelmente não poderá ir trabalhar com o look hipster. O herdeiro do banco ou um top publicitário, sim."

por Vivian Whitman, uma moça que eu to amando tipo assim ai que mulher inteligente!

*Esse post tbm é um grito em nome dos creepers que viraram ridículas flatforms.

sexta-feira, 9 de junho de 2017

Eu to na rede sim viu

     Eu n preciso dizer pra mim mesma que não consigo usar a internet. Gostaria que meu blog fosse um diário, desses que a gente escreve pra se sentir melhor, mas sem ser tão efêmero que desaparece assim (isso me dá vontade de mudar o tema dele e parar de imitar as pessoas, ser autêntica ao menos um pouco). 

     Tentei voltar a usar o twitter, porque acho o fcbk muito tóxico, não sei explicar. "Percebi que ficar ali observando a vida alheia, ou melhor, a história que cada um conta nas redes, estava me deixando cada vez mais ansiosa." E ficar observando a briguinha política, as pessoas que fazem coisas geniais e eu aqui sem fazer nadinha de nada. O peso é enorme. 

     Mas a ideia de que tudo que escrevo no tter vai ficando num arquivo, se apagando e se apagando... Me deixa um pouco agoniada. Mas eu acho maravilhoso ler o que as pessoas escrevem em poucas palavras, as notícias, os acontecimentos urgentes. Mas não é pra mim, pra quem usava msn a ideia de escrever para um vazio me arrepia um pouco e fico pensando no que vão pensar as possíveis pessoas que vão ler o que escrevi, porque antes era mais simples eu sabia que o Kaco ia entender o que eu ia dizer. "O uso espontâneo das redes já foi para as cucuias faz tempo." Sim, até quando escrevo esse texto fico pensando o que vão pensar as pessoas que por acaso olhem esse blog, ou se um dia isso virar um zine... E as curtidas... nossa isso é um saco. "daí a minha dúvida sobre o que postar nos próximos capítulos, já que isso também contribuía para eu ficar ansiosa: quem vai ver, quem vai curtir, por que fulano não curtiu, o que vão comentar… Eram muitas expectativas que eu criava". Mas acho que é muito mais uma vontade de eu estabelecer uma comunicação com alguém do que de fato me acharem legal, eu sinto uma falta enorme na internet, principalmente porque as pessoas que gosto e sigo são as que eu menos vejo ou se bobear nem conheço.

     Li esse texto na Capitolina (Uma autobiografia) que fala sobre a autobiografia que criamos quando postamos. Acho que quero documentar alguma coisa, mas não sei exatamente o que e fico um pouco angustiada."Esse caráter documental da parada está dentro de uma história sobre nós que queremos contar e repassar."

"Quero muito"


E daí?

     Uma professora de filosofia compartilhou um comentário que dizia que saber de cara se alguém gosta do B...aro é motivo suficiente pra abortar a missão relacionamento. Achei engraçado, mas quando li os comentários eu fiquei meio assustada com a quantidade de pessoas que diziam que de fato faziam isso. 
     Outro dia me contaram que uma menina tava saindo com um rapaz e ele falou altas coisas homofóbicas e ela ficou arrasada pq tava gostando tanto dele, mas ai um colega dela falou "amiga, ngm nasce desconstruído!". Achei isso genial! Tenho um amigo no trabalho que vê no estilo militar de governar uma grande saída para essa loucura toda, tem outro amigo que diz que bandido tem que morrer mesmo, tenho colegas que simplesmente n ligam pra nada disso e preferem ignorar totalmente os acontecimentos, mas eu AMO essas pessoas pelo que são e n pelo que pensam que nem influi tanto em como ela é legal cmg e com os outros, influindo apenas quando ela vai lá na urna secretamente e vota em quem ela quiser pq quem gosta da democracia somos nós. Amo ainda mais quando começamos a conversar sobre esses assuntos e eu acabo aprendendo muito (n sobre jeitos radicais de se pensar, mas o que levou aquela pessoa a pensar daquela forma). Nessas conversas, o amigo que gosta do B...ro ficou meio pensativo sobre isso quando perguntei "pq falam tanto mal do comunismo pq cerceia a liberdade, mas ao mesmo tempo querem uma espécie de regime militar? Ou vc acha que esse candidato n vai influenciar na sua liberdade pq vc se acha um homem de bem?". Não me importa se ele mudou de opinião, o nome dessa porcaria toda é democracia que a gente tá vendo que n serve tanto já que alguém que me ensina sobre democracia e justiça fala que eu posso usar a opinião política como peneira. Cada qual com suas peneiras, tbm tenho as minhas, mas se alguém n quisesse nem me conhecer pq sou de esquerda eu ia ficar mto p da vida.

     Comentei na postagem da professora que (coitada, eu aqui limitando sua capacidade de se expressar como quiser só pq ela é professora e eu acho que ela tem só que influenciar pro bem 24h) qdo ela pediu pra gente ler A república de Platão eu entendi que a paciência de Sócrates pra conversar com o Trasímaco era algo interessante, pq ele n dizia "ai sai daqui seu estúpido, vc n merece minha sapiência" mas ficava questionando as convicções do cara até ele ficar martelando sobre aquilo que ele tinha tanta certeza. Minha professora respondeu que Sócrates acabou condenado a morte por uma acusação falsa de Trasímaco. Fiquei. Arrasada. Não há saída.
     Quer dizer, vc faz amizade com quem bem entender (e o pior do fcbk é isso: aqui estou eu dizendo c quem ando e deixando as pessoas dizerem quem sou). Outro dia ouvi falar que a esquerda estava querendo boicotar o filme do Plano Real, exatamente como fizeram com Aquarius, e a pessoa que me contou isso soltou um grande "e daí???! Voc vai morrer? Virar uma estátua de sal? É só n ir assistir".
     A sociedade, um pouco como a internet, está deixando de ser uma janela para virar uma grande espelho: é aquilo que acho certo, o que eu acho bonito, o que é acredito e o que penso, eu sou certa e eu de novo, eu sou melhor pq votei em alguém, eu sou melhor ainda pq votei em alguém mas me arrependi. E daí?!

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Saudade da minha ex

quarta-feira, 7 de junho de 2017

Ah Bruta flor

Stephanie Frig Fall 2016



domingo, 4 de junho de 2017

Autenticidade

Autenticidade é não copiar as outras pessoas, é sobre criar seu próprio caminho. Ou mais ou menos isso. Ouvindo hoje isso eu fiquei pensando em como perco tempo tentando parecer com alguém, me esforçando para conhecer pessoas que me inspiram para de alguma forma eu ser ao menos parecida com elas. Já escrevi outras vezes sobre isso, mas dessa vez fico pensando em como as pessoas que realmente admiro ou as que me ensinam algo que acho interessante, são simples, vivem a seu modo repetindo aquilo que acreditam e isso se reflete em sua forma de viver e por isso me inspiram, de algum modo. Gostaria muito de passar menos tempo na internet, lendo mais e procurando menos coisas pra salvar no pinterest ou no we♥it porque, afinal, pra que serve isso? Minha vida não se baseia nisso, quer dizer, que servir pessoas e ter um mural com fotos bonitas não me leva a isso. Poderia estar criando muito mais, fazendo zines ou pelo menos ajudando. Quem sabe.

Hoje passei bastante temepo no pinterest e me percebi como uma amiga que tem uma bela conta no pinterest mas na vida real ela é bem fútil, um pouco vazia e com falta de algo. Me sinto dessa forma. O que me dá vontade?

Imitando pessoas, me senti como as fashionistas que vestem as roupas da CDG em comparação aos japoneses que vestem as roupas da marca. Ela parece uma palhaça, de verdade, no sentido literal. Eles parecem eles mesmos, no sentido que não podemos explicar. Como a Clarice, ninguém imita Clarice, mas nós a vivenciamos, ela está em nós.





Já parou pra pensar que a moda, como a arte, torna a vida mais suportável?


"Já parou pra pensar que a moda pode ser futilidade quando dela somos escravos, mas pode ser arte quando a usamos como forma de expressão?"
Cris Guerra, um xuxuzinho de mulher que eu admiro pra caramba

sábado, 3 de junho de 2017

Guia da Tavi para procrastinação

"And, it's the best site for procrastinating homework, because you are learning LIFE LESSONS!"

porque quando eu estou na internet eu tenho vontade de aprender alguma coisa e se eu não aprendo eu fico tipo "what's the point?" porque a gente tem um coração faminto e ele absorve o que vier. Esse meu argumento tbm vale como desculpa para eu não ver filmes de terror.

Twin Peaks ?

 Terminei de ver Twin Peaks, mas um pouco desanimada. Não exatamente por causa do último episódio, mas porque sinto que a morte da Laura e outras coisas estranhas foram explicadas apenas com o black lodge, uma coisa sobrenatural, como quando os personagens acordam de um sonho depois de uma trama sinistra e ficamos "foi tudo um sonhos?". Em Twin Peaks eu senti isso: foi tudo o capeta? Bem... muita cara de pau da minha parte reclamar do David Lynch, mas eu de fato gostaria que tivesse um pouco mais de como guardamos segredos . Acho que por isso somos atraídos no início da série... quais são os segredos da Laura? Quando descobrimos pouco a pouco sua vida por trás da princesinha é genial, definitivamente. Infelizmente, quando descobrimos o motivo da morte, a coisa desanda, porque ninguém guarda segredos como Laura, e se guardasse, acho que ficou um pouco apelativo tipo, Josie é uma espécie de O-Ren Ishii muito cínica.

Eu quero fazer uma volta ao blog da Tavi e agora que entendo um pouco mais de inglês, vou ler porque ela gostava da série.

Ah! E vou fazer um post sobre as roupas da série, agora que aprendi a fazer os melhores screencaps possíveis!

sexta-feira, 2 de junho de 2017

A Clarice nos encarnou

"a Clarice... poxa, ela nos une, ela nos encarnou, ela nos ensina... ela é toda a voz feminina desse mundo!!"