quarta-feira, 14 de junho de 2017

A Clara deve ter lido muito nessa vida

     Hoje tive certeza de que minha professora dá aula na minha turma de faculdade particular com menos qualidade do que nas suas turmas da federal, que pra ela é sofrido ter que ficar fazendo vários trabalho pra dar pontos pra uma turma que simplesmente não aprende o que ela ensina, porque nas federais o nível dos alunos é bem mais alto de modo que aqui na minha turminha de particular ela só consegue dar o básico.
     Me senti péssima.

     Esse semestre eu fui horrível, fiz apenas três cadeiras e fui horrível na que eu mais gostei, exatamente a cadeira dessa professora. Eu, no fim das contas estudei pra passar, algo que totalmente odiava na época da escola porque sempre achei que estamos aqui pra aprender e não pra marcar pontos. Mas se eu não estou nem conseguindo marcar os pontos imagine aprender! Quer dizer, como poderei um dia defender as causas que acredito se o que eu sei não passa do básico? Se eu estou na universidade eu sinto que deveria criar, fazer algo novo que só é feito com criatividade vinda do conhecimento.

     Eu fui totalmente relapsa.

     Ao mesmo tempo eu encaro minha condição de quem trabalho oito horas por dia e morre tentando estudar nos fins de semana, porque eu estou totalmente cansada pra qualquer coisa. Vejo depoimentos de pessoas que sentem-se pressionadas pela faculdade, mas eu penso que "se eu não trabalhasse eu faria diferente?", e penso também nos professores discutindo com os diretores "mas eu não sei o que faço! Meus alunos simplesmente não estudam! Não sou mágico!!" ~e sobre essa professora posso falar com sinceridade pq ela realmente ensina muito bem, o conteúdo básico que ela ensina ;e realmente muito complexo e confesso que eu simplesmente não estudei. Mas nos fins de semana eu estou morta e não tenho outra hora pra estudar, isso parece tão abusivo! Fico pensando: eu me coloquei nessa posição quando decidi fazer uma particular ao invés de uma pública. Mas a pública não é pra quem não tem dinheiro: é pra quem pode e eu não posso. Como eu posso lutar pelos direitos das pessoas que no futuro enfrentarão o mesmo dilema terrível que eu se eu não entendo bem os direitos fundamentais dessas pessoas para chegar na frente daqueles homens velhos e pedir uma mudança bem fundamentada, que nem a lei Maria da Penha ou outras leis que nos salvam.

      Parece loucura, mas queria sentir prazer lendo livros de direito tanto quanto livros da Clarice ou artigos na internet. O prazer de estudar... quem me dera.

      Eu espero não enlouquecer! Espero mudar de vida, quero ser aquela mulher inteligente que tem propriedade quando fala, que entende das coisas a sua volta, que não se deixa levar, mas que não é mesquinha ou nem se ache as pregas só pq viajou daqui pralí ou leu umas palavrinhas em alemão. Essa mulher:




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