25 julho 2017

Eu amo você, do Tim Maia, me deixou apaixonada

     Sempre que eu ouço música brasileira me sinto mal por ouvi-la tão pouco e dedicar tanto tempo dançando ao som de estrangeiros.
     Não sei se é porque compreendo as palavras, ou se há algo realmente mágico na mistura da voz com os instrumentos nas músicas brasileiras. É como se eu de fato sentisse tudo o que se passa naquele coração pulsante que sofre daquelas sensações, é tudo à flor da pele e eu não consigo explicar, é muito arrepiante. Eu compreendo muito mais do que a letra, a melodia, os instrumentos, as pausas, a poesia, tudo diz, tudo fala e é que nem quando a gente vê uma cena e a alma se funde com a imagem pra poder sentir. Ouvindo música brasileira a minha alma é envolvida e eu entendo tudo, sinto tudo, meu coração bate tão rápido e eu quase posso sentir meu sangue correndo na velocidade da canção, dizendo essas palavras. Não sei explicar.
     Sempre me impressiono, é sempre a primeira vez. Por que temos tantos sentimentos? Ser brasileiro é um dom. Uma dádiva. Uma viagem. Uma galáxia.

     Tive dez minutos de descanso no trabalho e fui ouvir as músicas novas que coloquei no celular. Eu amo você, cantada pelo Tim Maia e aquele coral maravilhoso, é inexplicável, eu posso ignorar completamente a letra porque eu sinto tudo na voz deles, nos instrumentos. Se eu não falasse português eu tenho certeza que sentiria a mesma coisa, pois está além. 

19 julho 2017

Wolf Haley

     Esse é um dos alter egos do Tyler, The Creator (que tbm é um alter ego). Ele ter um alter ego explica em partes porque ele é tão agressivo e delicado ao mesmo tempo. Ele é tímido e ousado ao mesmo tempo. MAS isso não explica muito essa dualidade dele, porque eu acho que ele, naturalmente e despretensiosamente, confronta a imagem de rapper que temos. 
     Essa imagem é composta de um "always rude Kanye", de um Jay-Z imponente e intocável, e de todos os componentes que a mídia reproduz de um homem negro e claramente incomodado com a forma que tem sido representado. Uma das melhores coisas, pra mim, nessa nova galera que canta rap é que eles permitem ser quem são, que nem o Frank Ocean ou o Chance, The Rapper, mesmo que essa imagem tenha um pouco de delicadeza. O que aparentemente não existe no mundo de quem canta sobre a realidade com tanta indignação.
     Quando eu ouço o Kanye e me concentro na voz dele eu me conecto com ele e ouvindo aquelas incríveis montagens (é assim que chama?) que ele faz é como se ele estivesse dizendo: that`s who I am! Quando eu vejo o Tyler fotografado pela Petra nas mesmas poses que as meninas, calçando um tênis com flor rosa, coberto de borboletas em um cenário do Wes Anderson, ou se combinando com as cores "de menina" é como se ele dissesse: that`s who I am! E isso não tira a verdade do meu discurso nem mesmo minha indignação.
     O que quero dizer é que como mulher normalmente eu busco elementos masculinos para darem crédito ao que eu digo ou não distorcerem meu discurso baseado na minha feminilidade. No entanto o Tyler vive em elementos femininos e não é menos rapper nem por um segundo. 
 por Delfin Finley, via booooooom.
 por Petra Collins, via ela mesma.
No clipe de "Perfect", dirigido por ele mesmo (!!!)

Esse blog tá virando uma casinha para minhas crises

     bem, tentei me desligar um pouco da internet porque senti que ia ser sugada, depois percebi que não dá pra eu me negar algo que gosto, mas ai agora to começando a ficar saturada. Sempre que vejo algo bonito quero fazer algo bonito também, de qualquer forma, seja desenho, colagem, zines (esses principalmente).... mas nada sai da minha mente e quando tento fazer fico achando muito horroroso e desisto logo.
     Também quero melhorar em vários aspectos fisicamente, queria me movimentar mais e não ficar com o corpo tão enfadado. Vou fazer isso assim que eu terminar esse texto. Mas também fico esperando algo surgir na minha frente em janela pop-up pra me fazer respirar fundo e dizer: uaaaauu que coisa bacana. 
     Também fico pensando em textos possíveis para zines, todo tempo, sobre tudo, fico tentando ter alguma ideia e minha cabeça chega a doer com essa "cobrança" porque tá muito difícil simplesmente relaxar. Eu queria MUITO criar alguma coisa. Deve ser porque eu consumo demais na internet, e confesso que muita coisa boa já que tenho evitado conteúdos ruins na minha opinião. Nossa como eu queria saber desenhar, fazer colagens, tocar um instrumento, criar alguma coisa... Isso me faz delirar. Obviamente é uma pressão desnecessária. 
     Hoje tava pensando que como estudante de direito eu poderia criar algo nesse sentido, mas de reprente a coisa fica tão chata. Imagina só, se eu conseguisse relacionar algo que gosto tipo moda com o direito. Isso é claramente impossível porque justiça é algo muito importante. Quem sabe eu não consigo fazer conexões possíveis. Quem sabe também se eu lesse histórias interessantíssimas e as contasse do meu jeito, que nem quando eu mandava email pra Victória??
     Aí é que tá!! Quando eu mando email pra Victória eu estou me sentindo bem e a vontade pra dizer coisas que eu acho interessante e do jeito que eu acho que fica interessante, diferente de quando eu quero criar algo e fico me pressionando pra isso e no fundo eu só queria ser tão no mínimo bacaninha como essas pessoas bacaníssimas que eu vejo na internet. Ai que desabafo to até mais leve. Adoraria mesmo que ninguém acessasse esse blog, eu sinto que no fundo quero escrever pra alguém. Já pensei até em endereçar esses textos ao meu futuro, mas sei que nem ele vai querer ler tudo isso outra vez. 
     Acho interessante que meu cérebro pipoca de ideias bacanas que vão de fato ME agradar ou mesmo que não agrade nada o foco não é esse, mas meu corpo ou outro alguém dentro de mim me impede de concluir. É terrível!!!

18 julho 2017

The ordinary turns extraordinary in “Boyhood"

     Desde que assisti nunca consegui explicar a emoção que senti vendo Boyhood, o máximo que conseguia dizer é que era como ver uma foto panorâmica da vida. Mas lendo os comentários sobre ele em um post do New York Times, eu, finalmente!, tenho algo melhor pra dizer sobre esse filme inexplicável. link.

As one year slips into the next, Mason grows up before your eyes, a progression that at times seems scarcely noticeable but at other times can knock you flat, recalling those moments when you look in the mirror and wonder, Where did the time go?

This movie pulls you into caring about people and feeling what it’s like for time to pass, for life to change, for relationships change.

I realized that I was telling the life and times of a generation.

We all go through the world trapped in our story, our own point of view. But a film can really enforce those other points of view – that’s storytelling power.

17 julho 2017

Admiração ou como a Tavi consegue?

     Queria olhar no Houaiss qual o significado da palavra admiração, mas ele está muito longe agora. Posso tentar explicar com o que sinto pela Tavi e tantas outras pessoas (coincidentemente, a maioria mulheres) que são capazes de fazer coisas de modo tão criativo e sincero a ponto de fugir da curva do real. Sempre que vejo o blog da Tavi fico cheia de inspiração pra tirar foto das minhas roupas e para começar a vê-las como uma obra de arte, uma montagem artística e não apenas uma capa protetora. Também fico afundada em sua paixão adolescente que é muito bonita e tem as cores que eu gosto, mas que tenho evitado um pouco já que a própria Tavi está distante disso e que eu já não compreendo muito bem.
      Conheço a Tavi desde a época do colégio e desde então ela tem me ensinado como ver a áurea das coisas, as conexões entre eu e o que está em volta. É difícil saber como uma roupa se conecta a outras perspectivas, principalmente porque não conseguimos ver além do que está na nossa frente, porque queremos tudo nas mãos. Porque todas as mídias já nos entregam tudo pronto. 
     Nessas fotos abaixo ela relacionou as roupas de uma coleção com imagens, provavelmente ligando a cor, de um jeito que eu tive quase certeza que as roupas tinham sido criadas a partir das fotos. A roupa vai muito além, ela vira literalmente uma peça de arte e seu caminhar uma performance. 
 The thrown togetheredness of various references suggest that every piece was picked up at a different stop on a road trip or were homemade and have been happily lived in. Matching up such different textures and prints seems random but each layer serves a purpose

salva

     Esse fim de semana eu não tirei fotos, eu quase não acessei a internet, eu não fiz praticamente nada como tenho feito ultimamente, mas foi tão m a r a v i l h o s o !!!! 
     Primeiro, a Victória vai viajar, mas a Vivs vai ficar em casa de férias e eu fui selecionada para o cargo de companhia e achei muito ótimo porque a Vivi é super predisposta a fazer coisas novas. Pelo que vi ela tem também uma super visão estética vinda dos vídeos coreanos que são realmente muito bonitos e inovadores na sua simplicidade. Ela me mostrou uma série que tá fazendo e eu fiquei meio.... hm... "nossa como vai ser engraçado quando ela assistir isso daqui alguns anos". 
     Segundo, a gente foi no centro 
pausa pra comentário importante: !!! Eu estava na parada de ônibus, sozinha, e fiquei com muito medo do perigo dese estar sozinha numa parada de ônibus em Fortaleza e comecei a orar pra me acalmar. e tchan tchan tchan tchaaaan::: apareceu uma senhorinha vinda aparentemente do nada pra me dizer que não gosta de ver gente sozinha na parada e que ia aguardar comigo. eu fiquei tão feliz!!!!! Que pessoa admirável♥ A Victória me contou que uma vez desceu do ônibus e ficou com medo do caminho que enfrentaria sozinha até chegar em casa e tchan tchan tchan tchaaaan::: uma moça desceu do ônibus junto com ela e foi fazer o mesmo percurso e elas foram juntas ♥♥♥♥ Fiquei pensando... Com certeza nada teria acontecido nessas duas situações se estivéssemos sós, mas mesmo assim estávamos com medo, e Deus nos apresentou essas pessoas ótimas não pra nos proteger exatamente, mas simplesmente nos tirar o medo. Não é isso? Não é bonito? 
     No centro tava tudo muito esquisito. Tinha poucas pessoas, uma solidão, as lojas fechadas, algo realmente estranho. Mas ai eu comi aquele maravilhoso kit do Dudas que tem cuz cuz e eu fiquei muuuuuuuuito feliz, porque eu AMO a comida daqui, é uma riqueza. A gente foi no mercado central e adorei a sensação de conhecer um pouco de tudo aquilo que tinha lá, porque era exatamente a cultura daqui e eu me senti como alguém que está em casa e se sente muito à vontade. 
     Terceiro, a melhor parte de ir pra casa da tia Joana é que: as conversas são tão ricas, interessantes e divertidas que eu quase não lembro de internet ou de qualquer outro problema. Eu sempre aprendo muita coisa e a Victória tem um poder de fala fora da realidade e é muito bonito !!! Ser aluna dela vai ser uma dádiva total. Outra coisa boa é que atividades como arrumar um quarto inteiro de livros bagunçados não se torna tão ruim porque estamos juntas e temos tantas ideias durante o processo e ficamos sempre afoitas com a possibilidade de encontrar tesouros no meio da bagunça. E realmente encontramos. Até o ar que eu respiro quando estou lá é leve, eu consigo ser eu mesma, elas me conhecem e temos muitos valores parecidos e nossa visão de mundo de alguma forma se encontra. Só estou deixando isso bem claro e registrado pra que a Brunna do futuro saiba como a vida na casa do Arthur é tensa e solitária. 
     Por enquanto, vou guardar todos os mus projetos artísticos pra fazer com a Vivi essas duas semanas, estou muito empolgada, vou até fazer uma programação.

14 julho 2017

Melhor coisa que tem é poder devanear a vontade

     Hoje eu li na Rookie sobre uma menina que tinha um blog e no início ela queria muito ter seguidores e fazer parte da comunidade, que ficava todo tempo falando disso e que depois de um tempo desencanou, queria apenas escrever e fazer daquele blog um lugar pra ela se expressar a vontade e se concentrar em escrever apenas. Depois disso ela começou a ganhar muitos seguidores e ficou muito feliz, mas muito apreensiva com a ideia de que tinha que escrever algo "bom", então ela deu um tempo no blog.
 The Quest for Followers. Amber Humphrey. feb. 2013. Rookiemag.
     Isso me fez pensar.
     No começo desse blog eu queria ter seguidores. E todas as vezes que eu to de bobeira eu olho as estatísticas pra ver se alguém acessou o blog ou lei alguma coisa. Gostaria de receber comentários e conversar com outras pessoas que gostem das coisas que eu compartilho, porque seria massa. Ao mesmo tempo eu fico meio apreensiva de saber que alguém lê tudo isso que é tão pessoal. Esse relato na Rookie tbm me fez pensar que ultimamente eu tenho escrito como se eu tivesse um público em especial e algo em mim queria "agradar" alguém. Eu curto tanto criar conteúdo pra esse blog e é um conteúdo que eu amo tanto que eu não sei porque eu iria querer que ele fosse prazeroso aos olhos de pessoas que eu não conheço. 
     Sempre que eu tento fazer um fanzine esse arrepio aparece de pensar que: 1- ngm vai ver isso ou 2- alguém vai ver isso então tem que estar bom o suficiente pra agradar ao grande público ai meu deus.

     Também piro na ideia de que eu poderia estar fazendo algo mais proveitoso do meu tempo. Tomara que quando minhas aulas comecem eu não fique obcecada em escrever aqui!! Falando em aulas... eu me matriculei em libras!! ^---------^ 

13 julho 2017

Precisamos de arte nas cidades

     Vi o filme da Marina Abramovic, Espaço além, já tem um tempo, no dia que lançou na tv. Minha primeira impressão é que é maravilhoso ver uma artista tão foda que nem ela se derreter pelo Brasil desse jeito, ela realmente se joga em uma das nossas principais características: somos todos muito espirituosos e cheios de fé em algo. 
     No começo do filme ela conta que decidiu fazer essa viagem para poder se curar de um trauma causado por um relacionamento terrível, que apesar de suportar a dor física tranquilamente, a dor do espírito é insuportável e ela veio a procura de cura. Não sei se ela conseguiu se curar, mas a sua descoberta sobre qual a sua função como artista é genial:
Eu não acho que precisamos de arte na natureza. A natureza já é tão perfeita sem nós. Precisamos de arte nas cidades. Precisamos de arte nas cidades onde os seres humanos não têm tempo. Nas cidades poluídas. Nas cidades com muito barulho.
 Maya Handley, 2014. via.
Temos que extrair experiências da natureza e trazer para as cidades. Eu sempre acreditei que a arte atua como uma ponte para conectar pessoas de diferentes classes sociais, diferentes crenças religiosas, diferentes raças. Mas também trata-se da comunicação entre o mundo físico e o mundo espiritual. Ou, simplesmente, entre dois seres humanos.
 
 
 David Uzochukwu. via.
Essa viagem foi muito importante para mim. (...) Entendi que preciso dar ferramentas ao público para que vivencie seu próprio eu. (...) Todas as pessoas têm traumas. Todas as pessoas sentem solidão. Todas as pessoas temem a morte. Todas as pessoas sentem dor. Eu dou uma parte de mim, e elas me dão uma parte delas. A única forma para as pessoas entenderem de uma maneira mais profunda o que é a performance, é embarcando em sua própria jornada pessoal.Marina Abramovic

     Isso não é GENIAL??!! Eu estava vendo o site de alguns museus e fiquei me questionando o que é escolhido como arte pra entrar lá? Imediatamente me lembrei disso que a Marina disse, que a arte é uma ferramenta pra irmos fundo em quem somos. Para nos conectarmos com a nossa espécie como parte da natureza. Li em um blog um comentário sobre as pinturas de Arimoto Toshio, dizendo que as mulheres estavam sempre sozinhas, mas nunca solitárias e eu só consegui pensar em como elas estão conectadas. 

     Na música Holy, a Jamila Woods canta sobre não estar solitária, mas estar sozinha. Pra alguém que gosta de ficar só como eu, é um explicação cheia de conexões maravilhosa.
I'm not lonely, I'm alone
And I'm holy by my own

11 julho 2017

Sob o céu de Fortaleza

     O trabalho hoje foi tão cheio de vibrações ruins e gente mesquinha e otária que eu tive vontade de mandar todo mundo se catar e ir embora sem voltar. Eu tinha um super post sobre isso na minha cabeça, mas cheguei em casa e fiquei em paz. Ah... Antes que desse tempo de eu sair reclamando sobre isso eu fiz um moodboard inspirado nos que a Tavi fazia. Até que ficou bom...
     Eu pensei primeiro no livro da Clarice, depois na flor que é uma fivela e vi que tava ficando algo meio verão. Fortaleza é sempre verão! Ainda mais com esse céu:
Tem combinação mais adorável que rosa e azul?

10 julho 2017

Futura brubs...

     Hoje aconteceu uma super mudança no trabalho, eu fui pra um cargo mais importante que o de reles digitadora enquanto uma moça tá de férias. Eu tava com muito medo porque tinha certeza que não ia conseguir me sair bem, que a pessoa que ia me ajudar tem muita da minha admiração e eu tinha certeza que ia decepcionar. Mas olha... até que foi razoável. Não digo de mim, eu não fui exatamente razoável, acho que fui terrível, mas sobrevivi!
     Imagino estar no futuro e lendo isso... Imagino que tudo isso tenha passado e nossa como eu quero saber o que a Brunna do futuro está pensando. E que bom que eu estou escrevendo isso! É por isso que comecei esse diário.
     Eu nunca gostei de ler o dear diary na Rookie mas agora que sei da sensação boa de escrever um, estou lendo. E li algo muito bonito sobre registrar todas essas sensações:
The process of dissecting my day on paper has always been tinged with some tedium, to look back and sift through details and moments that had slipped from my consciousness has always been a salve for the fear that I would lose the past. via.
     Tenho essa sensação principalmente porque quando leio meus antigos posts eu fico aaaaaaahhhhh eu era tão fofaaaa ou então aaaaaaaaaahh meu deus brunna chega de ser ridícula!!!. Isso é tão maravilhoso ^-^ Um dia a Vick me disse que gostava do meu blog porque ele era real. Fiquei super feliz!! Nossa to muito satisfeita da vida com esse blog ♥

09 julho 2017

Devon Aoki por Harley Weir em um editorial sincero

     Depois de tanto ver editoriais de moda e de apagar fotos de moda que tinha salvo por alguma razão que realmente não consigo entender, eu tenho ficado bastante entediada com os editoriais que tenho visto. Parece tudo tão falso!!! Principalmente porque as marcas estão tentando de algum jeito copiar aquilo de mais sincero que as pessoas fazem pra serem elas mesmas. E não falo nem das roupas que imitam os faça-você-mesmo, ou das grifes que tentam vender um estado de espírito, mas dessas marcas de roupas amigas e ecológicas também, com pessoas falsamente entediadas, com os braços estendidos não sei pra onde nem porquê. Não sei se é também por causa das modelos que são horríveis em expressão... Bem... poderia falar muito sobre isso, mas minha falta de conhecimento sobre o assunto me impede porque não quero falar bobagem. 
     Pesquisando rápido, editorial de moda é um jeito artístico de promover várias marcas ou uma ideia. Então cadê o artístico?!!

     Maaaaaasss vi esse editorial pra Vogue feito pela Harley Weir com a Devon Aoki que ficou TÃO bonito! Além da roupa representar não apenas um produto, mas um elemento da cena, as fotos nos dão uma sensação e essa mulher maravilhosa parece realmente estar sentindo tudo isso. E outra... cara quem é essa fotórgrafa??!!
      Achei que estava deixando de gostar de moda e tudo mais, mas isso me fez pensar porque realmente acho que as roupas são a extensão da nossa psique. É uma forma de arte que também nos conecta com o que há por dentro e o que não se pode ver.
+ Fotos via That Adult e Instagram da Harley Weir.

O melhor de maravilhosa e doce Sade

     Estou numa tarde de domingo, depois do almoço, sem nenhuma obrigação (!!!) e ouvindo the best of Sade. Por que eu não ouvi isso antes? Quem é essa mulher tão maravilhosa?? Parece que estou no paraíso.
      Ela é nigeriana, estudou moda e no auge da fama ela não queria se promover, ela não queria fazer nada pelo marketing, seja a música ou as entrevistas, ela queria ser real e fazer algo sincero. Procurei por fotos do estilo dela, mas assim como a música, ela parece ser totalmente desprendida da ideia de transmitir uma imagem que ela sempre aparece nas fotos como um ser em contato consigo mesma e com a natureza.
     É como se ela estivesse só, mas sem nenhum resquício de solidão. Self. 
     Da janela consigo ver o vento balançando o cabelo das árvores e parece que elas estão dançando com as músicas da Sade.
Argolas de ouro!!! !!!

meu deus finalmente um zine saiu pro papel

     Estou de férias! Estou de folga! Ontem me permiti não fazer nada e fazer o que eu gosto. E o que eu gosto é ficar na internet. Por que eu me nego esse prazer? E nessa história de me permitir fazer algo que eu gosto, mas que conscientemente sei que é excessivo e perigoso, acabei ficando enjoada e querendo fazer algo diferente! Veja só, a teoria do "vamos nos permitir" até que deu certo.
     Li um texto na Capitolina sobre a síndrome do impostor e achei a minha cara. Essa história de começar projetos e não terminá-los é comigo mesmo. Tenho uma pilha de ideias legais, mas quando não sou parada pela preguiça, desisto pela insegurança de achar que aquilo é muito ridículo, que ninguém vai querer ver ou que é muito fútil comparando com outros. Os fanzines que nunca nasceram que o digam. O problema é sério mesmo! Principalmente quando penso que já desisti do curso de francês, da faculdade de letras e mais outras coisas importantes. Tenho muito medo de não terminar a faculdade de direito, mas como dizem os poucos psicólogos com quem conversei: se você sabe do problema que tem, use suas forças para não se entregar a ele.
      Logo em seguida encontrei um tumblr de uma artista...
Pausa para comentário importante: Eu raramente visitava o tumblr porque meu feed nunca era interessante, sempre tinha posts desinteressantes das mesmas pessoas. Então fiz algo que nunca mais tinha feito e que gosto bastante. Deu unfollow. Eu seguia umas 360 pessoas, mas agora tem menos de 50 e são pessoas que eu realmente admiro como a Rachel Cobb, a Rian Phin, a Petra Collins, a Victória, a Meyary e outras mais. E de repente o feed do tumblr ficou muito bonito, com as inspirações dessas pessoas que gosto, ou com a arte de artistas independentes.
     Essa artista respondeu uma pergunta sobre como começou a desenhar e a resposta dela foi muito bonita! Porque ela fala que não sabe exatamente quando, porque simplesmente começou a desenhar e é essa história do simplesmente que me complica muito! Considerando a síndrome do impostor, eu tenho a sensação que estou fazendo aquilo pra alguém e me envolvo em critérios. Ela fala também sobre "só faça, faça aquilo que você gosta!", sobre não ter pressa, sobre curtir esse tempo, sobre não querer parecer legal. Isso me ajudou um pouco com os zines!!!
     Eu tava querendo fazer um fanzine sobre músicas de artistas que amo para bebês, que nem aquela playlist do Cabeça Tédio. Fiquei um pouco frustrada porque praticamente ninguém entendeu o meu pedido. Decidi eu mesma fazer as playlists e o fanzine todo. Comecei, mas não gostei das colagens e de como ele tava ficando. Procurei inspiração no pinterest e finalmente achei a utilidade dele! De fato é ótimo pra esse tipo de coisa. Eis o resultado:
     Eu não gostei muito... Mas vou tentar continuar. Como fiquei desanimada pra fazer o zine, mas não queria ficar na internet, continuei fazendo os backgrounds para as próximas playlists e foi tãaaaao satisfatório!!! Nenhum saiu da minha cabeça, todos foi uma tentativa de copiar os desenhos de outros artistas que salvei no pinterest.



+ Síndrome do impostor, na Capitolina
+ Ask da artista as bruxinhas, no tumblr

07 julho 2017

Um faz e apaga sem fim nem precedentes

​Excluí minha conta no filmow e no last.fm. O filmow me deixava um pouco agoniada de querer ver filmes e depois marcar e nunca ver os filmes que marquei como "quero ver" mesmo tendo tempo disponível pra isso, então percebi que meu intuito era apenas marcar. Perdeu a graça, e o sentido. O Last.fm era interessante, mas depois do Spotify eu tenho tanta música a disposição que acabo sem saber o que ouvir, sem ouvir de verdade muita coisa e consequentemente agoniada de não ouvir o que realmente gosto. Fazer scrobble não fazia tanto sentido porque aquilo que eu mais escutava não era o que eu realmente gostava. Agora eu to gostando mais de ouvir rádios independentes.

Fiquei um pouco triste em excluir o filmow porque eu tinha uma historinha lá, mas como diz Enid, "fuck it, everything must go". Mas hoje eu senti a dor de excluir coisas assim deliberadamente (uma consequência da Mari Kondo na minha vida): eu tinha salvo uma foto no we♥it que era de um blog sobre zines e arte muito bem feito que eu queria muito dar uma olhada, mas como excluí a foto não vou mais encontrar! Não estou exatamente triste, mas queria ver aquele blog... Espero que o universo me ajude nessa. Espero que eu pense melhor antes de criar e destruir.

Quando aquela menina do instagram excluiu todas as fotos dela e ficou super revoltada com a imagem falsa que ela passava de si mesma, alguém comentou que quase todo mundo passa por uma mudança de personalidade e não se identifica de forma alguma com aquilo que fazia, e como a internet é bem prática, deletar tudo é fácil. Por isso tem tantos blogs legais que as pessoas apagam tudo porque não são mais aquilo, por isso fico com medo de um dia a Tavi deletar o blog dela. Por isso excluo coisas constantemente porque acho que é muito difícil eu permanecer igual.

Confesso que acho muito legal ir no meu blog e ver as coisas antigas, que fiquei super feliz quando revi a minha antiga conta do we♥it, que meu maior sonho é encontrar meu primeiro blog de quando eu tinha exatos quinze anos. Mas acho que naquela época eu fazia as coisas com muito mais vontade e sinceridade do que hoje, por isso posto coisas e imediatamente apago. Tem um tempo que a autenticidade se tornou algo complexo pra mim, apesar de que as pessoas a minha volta sempre dizem que eu sou diferente, mas eu não me sinto sincera. Acho isso muito complexo pra mim.

A ideia de começar tudo de novo é muito sedutora, o caderninho novo, o blog novo, a roupa nova. Mas perder registros de épocas únicas é um pouco assustador. Acho que por isso as minimalistas falam tanto da consciência, porque se você não quer se arrepender depois, sabendo que não vai ter coragem de apagar algo que no futuro não fará mais sentido, é melhor pensar bem no agora, enquanto está em tempo de fazer ou não fazer. Meu espírito organizador de hoje queria organizar até as fotos em pastas, bem bonitinho, mas eu mesma não quero nem perder tempo com isso e nem perder todos esses registros originais. será que pelo menos eu entendo o que eu digo? Realmente escrever como um diário ajuda muito.
Fiz uma viagem pelo arquivo desse blog e por um lado eu era tão bonitinha! Mas por outro eu era tão patéticaaaa meu deus! Como alguém podia ler aquelas baboseiras? Fico pensando que a Luana ficava rindo das minhas maluquices. Mas eu era muito mais sincera! Fiquei pensando de certo modo eu mudei sim, é claro (fisicamente sim por causa dos 60 quilos), mas lendo todos aqueles registros senti que ainda sou exatamente a mesma e não dá pra falar na "Brunna daquela época" porque ainda sou eu.

06 julho 2017

Master piece

Hoje eu tinha uma reunião no trabalho às sete da manhã, mas eu não queria ir porque além de não ter ninguém na rua quando eu estou indo, não é a reunião mais animadora de todas. Mas dessa vez eu falhei em não ir, porque nela anunciaram que eu tinha sido a melhor funcionária do trimestre! E eu fiquei bem surpresa porque eu achei que esse dia nunca ia chegar, porque eu sempre achei que seria impossível ser melhor que os outros funcionários que trabalham comigo. Enfim! Ganhei um dia de folga e to pensando em como vou aproveitá-lo: posso resolver algum problema bem adulto ou ficar em casa descansando. hm... Ficar em casa descansando parece mto estúpido já que no fim de semana eu já faço isso.

Eu praticamente terminei a digitação de todos os processos no trabalho e disse a mim mesma: vai, agora você pode fazer algo na internet. Mas eu não queria fazer nada! Dá pra entender? Acho que a teoria daquela nutricionista sobre se permitir àquilo que você não acha bom é um bom jeito de se livrar dele, porque como diz Renato "o que eu tenho eu não quero, o que eu quero não posso ter". A teoria dela é que quando não se quer comer chocolate o pior jeito de fazer isso é se privando sob pressão e desespero, porque desse jeito o chocolate torna-se o segredo do prazer proibido, mas quando se permite comer, ele perde a graça porque somos um bando de enjoados. Não faz tanto sentido essa teoria, mas funciona.

DRECKITUDE ou senhora comendo biscoito como um cão by Coby Walsh, 2010.

Esse blog tá me deixando muito satisfeita, principalmente porque ele não tem acessos e eu posso escrever como quiser sem me preocupar com que vão dizer. Tentei ter um diário no papel, mas a frase que eu mais escrevia era "penso mais rápido do que escrevo" e graças às minhas habilidades de digitadora eu não tenho esse problema no blog. Pesquisei quais os benefícios de ter um diário e parece que faz você ter um tempo consigo mesma, produzindo algo, pensando e ainda melhorando a escrita e tudo mais.

De qualquer forma minha cabeça divaga muito sobre o que escrever, acho que nem eu teria paciência pra escrever isso algum dia.

04 julho 2017

Pense numa menina animada!

Nesse exato momento eu estou ouvindo uma música do Sleater Kinney em um podcast independente feito por uma menina feminista. Encontrei esse podcast nas indicações do maravilhoso blog Cabeça Tédio, de uma mina feminista e brasileira (eu amo encontrar blogueiras brasileiras, melhor se for feminista♥). Além do mais ela é uma super zineira. 

Acontece que ontem eu cheguei em casa muito pra baixo porque além de eu ainda não ter resolvido meu problema de procrastinar no trabalho, eu tive um problema entre minha sogra e a Gal costa. 
Rápida explicação: Eu estava vendo o maravilhoso documentário da Gal Costa que passa na HBO, então minha sogra disse que ia dormir e pediu pra eu abaixar o volume. Abaixei, quase não ouvia. Mas mesmo assim ela ainda estava ouvindo e ficou 100% putassa gritando com o "djaabo de tv!" sic. Fiquei arrasada, nem vi o ep até o finale fui dormir.
Daí eu tomei aquelas decisões que só surgem quando estamos com raiva e prometi pra mim não ver mais televisão. Depois que percebi estar sendo muito radical, flexibilizei para ver apenas quando ela não estiver em casa. Então ontem, ao invés de chegar do trabalho e ir ver tv, fui ler a biografia da Clarice, mas está num momento de muita explicação sobre de onde ela veio e é muito exteeenso... Fui ler a bíblia porque acho que sou muito sem vergonha na cara de ir pra igreja, mas viver como se eu não conhecesse nada do que aprendo lá. Fiquei maravilhada com Maria dizendo que não era nem um pouco digna, mas que Deus a tinha escolhido e pelas palavras a gente vê como ela estava felizaça. Depois assisti a entrevista da Clarice na Cultura pelo youtube e fiquei pensativa e de algum modo estranho isso me fez pensar que não há nada de errado na minha vontade constante e obsessiva de mudar o tema do meu blog. Vai entender. Então fui mudar o template dessa coisinha. 

Sofri, como sempre. Eu queria algo simples, mas é quase impossível achar qualquer coisa decente na internet, é tudo péssimo. Comecei a dar uma olhada nos blogs que gosto pra me inspirar e olhando as indicações do Cabeça Tédio achei um blog fofíssimo intitulado Sŏror, escrito por uma outra moça feminista. Confesso que copiei o template dela, mas queria mesmo copiar tudo que ela escreveu naquele blog (está meio que desativado), porque é tudo tão massa, super sincero, maravilhosona! Acho que tenho algum mal de só encontrar esses blogs legais quando eles já estão desativados... Os blogs precisam voltar!

+ Podcast #8 da Rockn'Roll Radio
+ Blog Cabeça Tédio - Punk Feminista
+ Blog Sŏror, que quer dizer irmã♥

p.s: Estou colocando os links no final dos posts agora porque li numa matéria do Petiscos (Presta atenção!) que links no meio das leituras deixa nosso cérebro um pouco pirado. 

03 julho 2017

não sei se consigo escrever. Ouvi as músicas da Bethânia. A entrevista da Clarice. Pensei em escrever como me sinto agora e num momento pensei que o que ia dizer era bem bonito pra publicar e meu corpo me enganou, passou a tristeza, não tenho mais sobre o que escrever.

Twin Peaks é só uma cidade pra Audrey reinar.

Apesar dos altos e baixos de Twin Peaks, há algo impecável na série inteira: Audrey Horne.

Imagino que a Audrey é a moça rica da cidade que compra roupas nas viagens ou nas lojas mais caras, porque ela se veste totalmente diferente das outras meninas. Ela é muito sofisticada, só usa saia e na maioria saia-lápis ou que vai até o joelho. A blusa normalmente de manga comprida está sempre pra dentro, e quando ela quer se arrumar melhor ela veste um blazer.
 

Você já viu algum personagem de série repetir roupa? Pois Audrey repete, ela é tão estilosa que é capaz de criar combinações com as peças de roupa e eu confesso isso é uma habilidade porque minhas combinações são tão iguais que as roupas estão quase pra fazer casamento. Dá pra acreditar que em três episódios ela vestiu a mesma saia? Numa tática genial de combinação de cores. 


Acho super fofo o relógio que ela usa e os sapatos. São praticamente os mesmos na série toda. Tem acessório melhor do que relógio? E melhor, esse tipo de relógio, com pulseira de couro e super clássico. O sapato é quase uma marca dela e é legal porque ela sempre usa o mesmo, e nunca perde a elegância.
Eu definitivamente me vestiria assim. Quem me dera.

Ah! um bônus da segunda temporada: Essa é Audrey no último episódio da série. Maravilhosa!
É interessante ver como o personagem evolui, deixando de ser uma menina bisbilhoteira pra uma mulher importante e madura no final da série. O resto das outras personagens, pra mim, nem chegam aos pés dela. Ela é definitivamente a expressão de alguém que se veste bem e é super segura de si. Nem sei quem é Laura Palmer perto dela.

Coleção Kid Abelha fofíssima dos anos 80

Encontrei esse cd totalmente deslocado no meio de outros cantores de gêneros totalmente diferentes. Não sou fã de Kid Abelha, mas não tenho nada contra, apesar da Paula Toller ser uma rainha pra mim. Quando vi esse cd fiquei pensando: Outra banda brasileira, fazendo isso, seria algo totalmente sem graça, brega, meio nada a ver, mas essas fotos ficaram tão lindas! Tão bem feitas que eu fiquei apaixonada pelo encarte e com uma leve queda pela banda.

No filme O Preço da Traição, de 2009, a Amanda Seyfriend chega pra um carinha e dá um cd de presente pra ele, então ele diz que desde que ela falou sobre a banda ele já tinha baixado toda a discografia e amado. Aí ela fala algo maravilhoso: "mas você não baixou a caixinha, a arte da capa, o encarte, as letras...". Não sou daquelas que tem um fetiche por vinis ou coisas assim por questõe sde qualidade de som, quando quero ouvir uma música não me importa se é em mp3. Mas confesso, não dá pra fazer download de elementos lindos como esse encarte do Kid Abelha.

Esse post tbm é uma homenagem pra Amora que é super fã dos anos 80 e de quem eu imediatamente lembrei quando vi o encarte.

A qualidade da imagem é ruim pq a scanner que eu tenho é meia besta.