13 julho 2017

Precisamos de arte nas cidades

     Vi o filme da Marina Abramovic, Espaço além, já tem um tempo, no dia que lançou na tv. Minha primeira impressão é que é maravilhoso ver uma artista tão foda que nem ela se derreter pelo Brasil desse jeito, ela realmente se joga em uma das nossas principais características: somos todos muito espirituosos e cheios de fé em algo. 
     No começo do filme ela conta que decidiu fazer essa viagem para poder se curar de um trauma causado por um relacionamento terrível, que apesar de suportar a dor física tranquilamente, a dor do espírito é insuportável e ela veio a procura de cura. Não sei se ela conseguiu se curar, mas a sua descoberta sobre qual a sua função como artista é genial:
Eu não acho que precisamos de arte na natureza. A natureza já é tão perfeita sem nós. Precisamos de arte nas cidades. Precisamos de arte nas cidades onde os seres humanos não têm tempo. Nas cidades poluídas. Nas cidades com muito barulho.
 Maya Handley, 2014. via.
Temos que extrair experiências da natureza e trazer para as cidades. Eu sempre acreditei que a arte atua como uma ponte para conectar pessoas de diferentes classes sociais, diferentes crenças religiosas, diferentes raças. Mas também trata-se da comunicação entre o mundo físico e o mundo espiritual. Ou, simplesmente, entre dois seres humanos.
 
 
 David Uzochukwu. via.
Essa viagem foi muito importante para mim. (...) Entendi que preciso dar ferramentas ao público para que vivencie seu próprio eu. (...) Todas as pessoas têm traumas. Todas as pessoas sentem solidão. Todas as pessoas temem a morte. Todas as pessoas sentem dor. Eu dou uma parte de mim, e elas me dão uma parte delas. A única forma para as pessoas entenderem de uma maneira mais profunda o que é a performance, é embarcando em sua própria jornada pessoal.Marina Abramovic

     Isso não é GENIAL??!! Eu estava vendo o site de alguns museus e fiquei me questionando o que é escolhido como arte pra entrar lá? Imediatamente me lembrei disso que a Marina disse, que a arte é uma ferramenta pra irmos fundo em quem somos. Para nos conectarmos com a nossa espécie como parte da natureza. Li em um blog um comentário sobre as pinturas de Arimoto Toshio, dizendo que as mulheres estavam sempre sozinhas, mas nunca solitárias e eu só consegui pensar em como elas estão conectadas. 

     Na música Holy, a Jamila Woods canta sobre não estar solitária, mas estar sozinha. Pra alguém que gosta de ficar só como eu, é um explicação cheia de conexões maravilhosa.
I'm not lonely, I'm alone
And I'm holy by my own

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